cate-blanchett1.jpg

DIVA VERSÁTIL
Com uma sequência de belas atuações, Cate Blanchett se firma como umas das melhores atrizes do cinema atual
Por Gilberto Tenório

A Austrália é dos lugares mais curiosos do mundo. Nação que teve em seus primórdios a influência dos povos aborígenes, sendo depois colonizada pelos ingleses, o país é hoje um dos lugares mais desenvolvidos e civilizados do globo. Outro detalhe curioso é que de lá surgiram vários dos maiores astros que hoje ocupam as telas do cinema mundial. Talentos tão diferentes entre si quanto Nicole Kidman, Mel Gibson, Toni Colette e Hugh Jackman provam que o sucesso das produções holywoodianas deve muito aos representantes da “Terra dos Cangurus”. E no meio de todos esses artistas, uma atriz vem se destacando com bastante força. Seu nome: Cate Blanchett.

Nascida Catherine Elise Blanchett, Cate é filha de um pai texano de descendência francesa e de uma professora de Melbourne. Estudou em uma Escola Metodista só para garotas, onde começou a explorar sua paixão pela arte de representar. Logo após se formar, mudou-se para Sydney para estudar no Instituto Nacional de Arte Dramática. Formou-se em 1992, começando sua carreira nos palcos. Seu primeiro papel principal foi na peça Oleanna (texto clássico do dramaturgo David Mamet) de 1993, onde dividia a cena com o colega Geoffrey Rush.

Golden Age, Shekhar Kapur - 2007
Cate volta a encarnar Elizabeth em The Golden Age

Seu primeiro papel importante no cinema foi como uma enfermeira australiana capturada por um prisioneiro japonês na produção de guerra Paradise Road (1997) dirigida por Bruce Beresford e estrelada por Glenn Close e Frances McDormand. Mas foi em Elizabeth (1998), filme pelo qual ela foi indicada ao Oscar de melhor atriz, que Cate ficou conhecida do grande público e passou a ser requisitada por vários diretores importantes. Versátil, a atriz já trabalhou em blockbusters, como na trilogia O Senhor dos Anéis, e também em filmes mais obscuros, vide A vida marinha com Steve Zissou (2004). Foi, inclusive, neste mesmo ano que ela ganhou sua primeira estatueta recebida como melhor atriz coadjuvante pelo papel de Katherine Hepburn em O Aviador.

Em 2006, Cate Blanchett brilhou em Notas sobre um Escândalo. No filme, ela interpreta Sheba Hart, uma professora de artes que se envolve com um aluno bem mais novo e, por causa disso, passa a ser chantageada pela personagem de Judi Dench, uma colega que está prestes a se aposentar e que nutre uma paixão doentia por Sheba. No mesmo ano, a atriz pode ser vista em Babel – drama irregular do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, responsável pelos ótimos Amores Brutos e 21 Gramas. Apesar de ter sido mal aproveitada na película, passa a maior parte do tempo deitada, sussurrando e gemendo, Cate conseguiu mostrar o quão talentosa é mesmo dispondo de poucos artifícios.

A safra de próximos trabalhos parece ser bem promissora. Ela recebeu na última semana o Leão de Ouro de melhor atriz do Festival de Veneza por sua atuação no longa I´m not There, no qual interpreta (curiosamente) o cantor Bob Dylan em sua fase jovem. Em 2008, ela está escalada para viver novamente a Rainha Elizabeth I em Elizabeth: The Golden Age. E para relaxar um pouco, numa produção menos “séria”, aceitou participar do novo exemplar da franquia Indiana Jones – Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull.

I’m Not There, Todd Haynes - 2007)
Cate Blanchet como o lendário Bob Dylan (no filme de Todd Haynes, I’m Not There – 2007)

Bela, elegante e talentosa, Cate Blanchett lembra as divas dos tempos áureos do cinema. Criteriosa na escolha de seus papéis, atitude rara entre suas colegas de profissão, ela vem se firmando como uma excelente atriz, buscando sempre o aperfeiçoamento e fugindo do lugar comum.

Sem mais artigos