Por Rafaella Soares

Nos primeiros 20 minutos de Caso 39 (Case 39, EUA, 2009), Emily Jenkins, interpretada por uma Reneè Zellweger sem muitos recursos de cena, devido ao botox, sugere ao colega da assistência social americana que seria bom ainda viver num tempo em que a maldade era tratada pura e simplesmente assim, sem os diagnósticos atenuantes de hoje.

Se o roteiro tivesse seguido por esse caminho mais estóico, claro, significaria 40% menos de sustos nas cadeiras – isso o espectador vai ter bastante, durante o longa. Mas desvendar o mal sem prerrogativas ainda é um exercício de sétima arte mais louvável do que o entretenimento básico daqui.

Lilith é uma menina introvertida que vai mal na escola, dorme com frequencia, e com isso chama a atenção do conselho infantil estadual americano. Nas mãos de Emily (Reneé), vai parar o caso, originando o título do filme. Visitando a família de Lily, Emily percebe a relação disfuncional entre eles e acaba se envolvendo.

Influenciada pelas confissões da menina, e após salvá-la de um quase homicídio, a assistente social acaba por ter poder decisivo sobre a vida de Lily. Quando em torno da criança de dez anos, de aparência frágil e doce, começam a acontecer crimes e eventos supeitos, a história ganha contornos de terror, em muitos momentos exagerados.

A trama peca ao optar pelo caminho mais óbvio, principalmente nos clichês com telefones + culpados padecendo em instituições psiquiátricas + traumas de infância superados na marra. Vale a pena pra quem gosta do mote de O Chamado – guarda semelhanças constrangedoras.

Uma curiosidade: o filme é de 2007, mas só foi concluído recentemente, o que justifica algumas soluções antigas, em se tratando da linguagem de cinema.

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