QUANDO SANTO DE CASA FAZ MILAGRE

Por Fernando de Albuquerque

Se na primeira noite do Recbeat a promessa de total animação era latina, ou melhor, hispânica, o mundo real provou o contrário. A noite de apresentações do dia 18 de fevereiro, teve na voz de Siba a máxima de estreia. Com muito pouco atraso e uma produção bem azeitada, o cantor pernambucano levou a platéia ao êxtase.

Se os seus trabalhos anteriores com a Fuloresta, Mestre Ambrósio e Roberto Corrêa eram reflexo direto de sua vivência com as raízes pernambucanas, hoje, suas composições contam com boa dose de guitarras e uma pegada pop bem marcada e na medida certa. Ele roubou a cena de uma noite que tinha tudo para ser plenamente estrangeira e bastante eletrônica. Os aplausos sobre sua apresentação não estão alojadas, somente, em suas novas composições reunidas no disco Avante, mas também no papel de entertainer, que soube cumprir com êxito.

Subiu no palco vestido de mulher, usando preto e jóias pesadas, mas quando abriu a boca viu-se o velho Siba de sempre, com uma nova roupagem. O público fez cirandas coletivas, pediu música, cantou junto e, mesmo com a ameaça de chuva não arredou o pé do chão e aplaudiu muito.

A segunda estrela da noite ficou por conta dos paraenses do Gang do Eletro. Eles trouxeram para a terrinha do frevo o “technomelody”, uma mistura de aparelhagem bem tecno com o brega, electrohouse lançando mão de uma pegada pop. E tudo acelerando as as batidas, inserindo elementos da eletro-dance e samples de tecno. Eles fizeram o público do Recbeat dançar muito e com muita empolgação. A apresentação do grupo foi cheia de surpresas cênicas e uma presença de palco que não são todos que conseguem. Efeitos de luz e muito gelo seco, bem metrificados, fez a diferença. Ponto alto para uma música inteira cantada com um vocoder.

A mistura de afrobeat, sons latinos, eleitor, rock e muito indie foi o tom dado pelos espanhóis do El Guincho. O grupo, grande quilate da noite, fez um show bem animado e corretíssimo, mas pouco envolvente. Eles subiram, tocaram, interagiram aparentando simpatia e finalizaram. As músicas, talvez pouco conhecidas do público presente, talvez não causaram a melhor das integrações, mas demonstrou que o trio sabe fazer música boa. Tão multicultural quanto o Carnaval da cidade, talvez essa tenha sido a proposta de sua presença, El Guincho arrancou passos dançantes da plateia assim que entoou seu hit, “Bombay”.

Não menos importantes, quem passou pelo palco foi o Stank, projeto do multi-instrumentista Yuri Queiroga, DJ Dolores, e Tibério Azul, que vem crescendo bastante – e bem – nesse seu início de carreira.

Na primeira noite de sua 17ª edição, o festival Recbeat reforçou sua tradicional vocação enquanto o centro de novas sonoridades e “apresentador” de grandes sucessos. E isso bem longe do abadá de bloco, dos desfiles quilométricos e dos parangolés de fantasias — a noite foi do rock, tecnobrega, um pouco de funk e muita folia.

Fotos de Caroline Bittencourt A imagem que abre o post é da banda El Guincho.

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