EVOÉ MOMO
Nossa colunista Valentina Finochiaro baixa no Recife especialmente para a cobertura do tradicional Baile dos Artistas, uma violência visual com cheiro de sexo, urina e muita bolinação consentida

Bem, primeiro uma satisfação né minha gente. Passei quase um ano fora da Revista. Lembra daquele meu namorado médico que conheci no Glória? Pronto. Engatamos um namoro pervertido. Eu, ele e o Pálio 1.o dele. Por isso a distância. Mas sabe…cansei de ter de ficar apertando o pedal do acelerador até o final e ele não passar de 60. Bem, eu voltei. E para começar bem meu retorno às pistas, eu voltei ao Recife e até me encontrei com minha eterna amiga Roberta Close.

Logo que pisei na cidade um calor senegalês tomou conta. Está muito quente. Mas a ânsia foi arrefecida pelo convite de dois amigos para ir ao Baile dos Artistas. Quem vê até pensa. Com a quantidade enorme de cineastas, músicos e cantores pululando nas esquinas da cidade… esse baile poderia ser uma reunião da Sociedade Secreta do Cinema regada a cigarros de maconha e meninas usando sandália havaiana e roupas com tai-dai. Hesitei. Mas aceitei. Fui. E chegando lá… meu amor. Ledo engano. O Baile dos Artistas nada mais é do que uma tulha de bichas recém saídas do trabalho, todas fantasiadas com trajes diminutos de salva-vidas, pinturas de felinos e marinheiros. E fora uma tropa de bshás com o terceiro olho estampado bem no meio da testa. Toda essa violência visual tem culpa: Glória Peres.

E meu bem, se o Gala Gay fecha os trabalhos carnavalescos no Rio de Janeiro, o Baile dos Artistas abre alas para uma turba de gozo intercalados por shows de caráter duvidoso e travestis cuja coragem supera a própria vontade de colocar emplastro sabiá no pinto. E entre tantos jeitos, trejeitos e gente completamente descompensada comecei a armar uma maneira de sobreviver entre pessoas disponíveis à praticas insidiosas em público. Rapidamente fiz uma lista de cinco estratégias..

1 – Se chegar alguém (bshá, bofe ou trava) e começar qualquer conversa com você do nada e que contenha as seguintes palavras/expressões: filme, design, hemorróidas, vaselina, Scissor Sisters, Paulo Portas, levar com ele, fantasia ou Rogério Mumnhós. Saia correndo ele quer te comer sem culpa no banheirão.

2 – Se você estiver prostrado dentro do salão, se permita. Se tiver uma postura mais conservadora nem lá deveria estar. Então…se jogue. Se ficar regulando ou recusando beijos e bolinações será mal visto por quem frequenta o Baile. O correto é consentir que todos se beneficiem de você, seja do seu corpo ou mesmo da sua carteira. Afinal, alguém seeempre pode eventualmente pegar no meio da multidão. O correto é, mesmo que Almir Rouche esteja entoando uma micareta ruim, você deve adotar a postura neoliberal, deixando seu corpo sem qualquer poder de intervenção. Tome umas três doses, fique totalmente entregue e deixe que a mão (e todo o resto) invisível tome conta de você.

3 – O banheiro se torna o chaos completo dentro do baile, então evite beber cerveja. Acredita-se que por sua semelhança com a urina, tanto no sabor quanto na aparência, o organismo nos obriga a repelir rapidamente. Já na primeira latinha começa o aperto e se você entrar no banheiro vai se deparar com algumas coisas bem desejáveis, mas outras nem tanto. Prefira algo que provoque embriaguez sem acessos de incontinência urinária, como cachaça, vodka, uísque. Ou opte pelas drogas injetáveis.

4 – Se tiver consumindo lóló no salão e alguém quiser que você compartilhe o lenço molhado, diga não urgentemente. Pode parecer egoísta não oferecer o lenço para o chapado que está ao seu lado, só porque ele vai deixar o pano todo babado. Lembre ao seu pseudo conhecido que o sucesso, como o loló é conhecido, faz mal e que muitas pessoas podem ter desmaios, ataques cardíacos etc. Pensar no bem-estar do próximo é uma desculpa para lá de digna.

5 – O pior de tudo nessas festas é o vestuário. Por ser um baile de carnaval, dos artistas, todo mundo acha que quanto menos, melhor. Não! Roupas masculinas tem que ter mangas. Tudo que não for bermuda, calça ou cueca tem que ter manga, seja você fortinho ou não. Aliás, se frequentar academia não acredite na máxima de que quanto mais forte você fica, menores tem que ser suas peças de roupa. Deixe o corpo respirar, for god’s sake!

ESPECIAL CARNAVAL 2009
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