Experiência sonora única num caleidoscópio de referências que vai do dream-pop a My Blood Valentine

CARIBOU
Andorra
[Merge, 2007]

O Caribou é uma banda-projeto de um homem só: Dan Snaith, que antes era chamado de Manitoba. O motivo da troca foi justamente porque o líder, o Dictators, Handsome Dick Manitoba, reclamou seus direitos em relação ao tal nome.

Andorra é o quarto disco de Snaith, contando suas duas “fases” – antes como Manitoba e agora como Caribou. Os outros três são The Milk of Human Kindness, Start Breaking My Heart e Up in Flames, este muito elogiado pela crítica especializada.

O caleidoscópio de texturas do Caribou envolve elementos de indie rock eletrônico, downtempo, shoegaze e noise pop, o que transforma Snaith em um dos maiores talentos da cena eletrônica dos anos 2000. Andorra comprova isso: programações criativas, vocal tênue e abafado, instrumentação complexa e arranjos meticulosos fazem do disco um dos álbuns mais elogiados de 2007.

São apenas nove faixas que duram, ao todo, aproximadamente 43 minutos de “entorpecência sonora” – para grande parte da crítica, o único defeito de Andorra: sua curta duração. Essa experiência bem particular está explícita em cada faixa do disco: “Melody Day”, a primeira, é um dream pop bem barulhento. “Sandy” tem uma ambientação psicodélica. O vocal vertiginoso de “She’s the One” é perturbante e os sintetizadores presentes em “After Hours” deixam a faixa soturna e com batidas viciantes.

A singela “Desiree” tem texturas orquestradas enquanto “Eli” lembra um casamento entre Beatles e My Bloody Valentine. “Sundialing” é uma viagem sônica com vozes distorcidas e proféticas. “Irene” tem batida quase dance e clima dissonante e a incrível “Niobe” parece uma dezena de músicas dentro de uma só – um verdadeiro alucinógeno musical. [Mariana Mandelli]

NOTA: 8,5

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