Camera Obscura

CRESÇA E APAREÇA
por Paulo FloroCAMERA OBSCURA
Let´s Get Out Of This Country
[Merge, 2006]

Descobrir o som do Camera Obscura era algo tido como orgulho. A banda escocesa ja era uma opção off-mainstream para o Belle and Sebastian. Os übber-indies já exibiam os discos do Camera Obscura como trilha sonora de suas mazelas, enquanto o mundo mortal ouvia os discos monocromáticos do Belle and Sebastian. Mas sempre é difícil superar o carma de uma comparação, principalmente quando se trata de uma banda ícone de um estilo, de uma fôrma. E é mais difícil para o Camera Obscura, que nunca fez muito sucesso nem na Europa nem em canto nenhum, nunca tocou em festivais, nunca teve singles badalados em publicações de músicas, apesar dos discos sempre muito elogiados.

A estreita relação do Camera Obscura com o Belle and Sebastian era mais do que uma proximidade musical. Stuart Murdoch, dono do B&S, produziu “Eighties Fan”, um dos primeiros singles dos escoceses e Richard Colburn tocou bateria numa das últimas formações do grupo. Além de que, Tracyane Campbell é uma espécie de Isobel Campbell com mais vigor. No Camera Obscura, Tracyane comanda a sonoridade de quase todas as canções de Let´s Get Out Of This Country, sendo ela a cara e a voz da banda, assim como Murdoch faz no Belle & Sebastian.

O disco Let´s… Possui dois objetivos. O primeiro é mostrar para o mundo pop e a quem interessar que o Camera Obscura tem uma identidade e algo relevante a oferecer e que não se trata de mais uma banda fofa triste-alegre. A segunda, e talvez a mais importante é fazer com que a banda finalmente conquiste um público maior não só na Europa, mas também nos Estados Unidos, onde o disco já foi lançado. O Snow Patrol também já fez algo parecido ao buscar o grande público, ao lançar o Final Straw (2004), depois de dois excelentes discos cultuados por um pequeno séquito de fãs.

Let´s Out… É um disco que recupera um glamour perdido, tenta criar uma atmosfera de ilusões perdidas, como um filme dos anos 30, a começar pela capa do disco. Campbell se esforça em criar um clima retrô nas faixas. Sua voz remete a uma tristeza, apesar das músicas não serem efetivamente tristes. Pelo contrário, “Lloyd, I´m Ready To Be Heartbroken” não faz feio em uma festa com seus tecladinhos Trendy, “Come Back Margarett” sofre de falta de vigor, foi feito para se ouvir depois de um fora. Então as pessoas vão ouvir escondidas, dizendo que não precisam de mais um disco como esse. Muitas vezes ser indie é se esconder.

O principal ponto no som, na atitude, no estilo e na fórmula do Camera Obscura e de seu pop sem muito mistério é o glamour. É indie e fofo, mas com glamour. E com glamour esta banda escocesa poderá ilustrar péginas da Wire com seus vestidos dos ’60 e com sorte vender alguns discos longe dos fãs mais chatos.

NOTA:: 8,0

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