CAMELOT 3000
Mike W. Barr e Brian Bolland
[Mythos Editora; 302 pgs; R$ 59,90]

No ano 3000, durante uma invasão alienígena à Terra, Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda ressuscitam para combater os aliens e retornar à glória a antiga Camelot. No entanto as novas versões não são estritamente idênticas ao que conhecemos, como Sir Tristão que reencarna como mulher e Percival como um monstro disforme. E assim como Arthur, sua principal inimiga, a vilã Morgana também retorna. Camelot 3000 é uma obra singular em inúmeros sentidos.

Quando Mike W. Barr e Brian Bolland idealizaram a série para a DC em 1981 o Mercado de hqs ainda não conhecia nenhuma obra parecida com o que viria a ser publicado. Por outro lado a DC procurava lançar uma série fechada que se tornasse antológica. Foi a maneira como foi contada que a tornou clássica. Ambientada num mundo retro-futurista, trouxe temas inéditos num gibi norte-americano como lesbianismo e corrupção. Com inúmeros personagens Barr conduz vários conflitos, todos amarrados à trama central.

O Graal, a traição de Lancelot, o destino de Percival, tudo recebeu uma nova leitura. Foi uma das poucas vezes em que a indústria dos quadrinhos se utilizou de um clássico da literatura de forma bem-sucedida, reimaginada, mas sem perder as referências originais mais básicas. E isso em 1981, onde o que conhecíamos por “vanguarda” nas HQs ainda não existia. A série já havia sido publicada no Brasil, mas não havia tido o devido respeito à sua importância e relevância.

A nova versão da Mythos traz as mais de 300 páginas em papel off-set e logo laminado. No entanto, por exorbitantes R$ 59,90 a edição merecia um acabamento melhor. A Conrad por 60 reais publicou uma edição luxuosa de Sandman. Além disso, anunciada para dezembro, o encadernado teve um atraso de mais de um mês para chegar às lojas. Mas nada disso retira o brilho da obra. Mesmo. [Paulo Floro]

NOTA: 9,0

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