TUDO PELA FRATERNIDADE
O ranso de uma mulher traída, cinco filhos com crise nos relacionamentos, um tio que assume homosexualidade tardiamente, a “outra” que se dá bem na vida e casamentos que chegam ao fim
da Redação

Na primeira temporada foi a vez de assistir a saga e Nora (interpretada por Sally Field), a esposa que gosta de opinar sobre tudo, dirigir toda verve intempestiva sobre Holly (Patricia Wettig) a amante de seu falecido marido e transformar a família em uma amalgama de fofocas que não consegue para de se disseminar. E todos se intrometem na vida de todos da mesma forma como acontece com as grandes famílias contemporâneas. Brothers And Sisters, série americana recheada de melodrama que tem conquistado uma legião de fãs volta às telinhas e já no primeiro capitulo traz uma espécie de regressão: todos estão na mansão Walker onde, como há extos um ano, será comemorado o aniversário de Kitty (Calista Flockhart), que, como sempre, não tem se relacionado muito bem com a mãe.

Essa segunda temporada traz ao espectador experiência que foram apenas descritas no primeiro ano da série. O sofrimento de Nora em relação a Justin (Dave Annable) agora deixa de ser apenas lembranças do passado. O moçoilo está e fato no Afeganistão em luta ao lado dos soldados americanos e não dá notícias a três semanas. Os dias ganham corpo, se passam, e a tensão criada em torno desse episódio conduz toda a narrativa da série que se divide em mostrar uma mãe com a cabeça no oriente e uma filha em campanha para que seu noivo, tão republicano quanto Bush e MacCain, seja eleito presidente dos EUA.

De um lado, Kitty se desdobra com as obrigações de campanha e a necessidade que rodeia as fêmeas: procriar. Ela luta para não ter seu brilhantismo profissional enquanto jornalista não se ofuscar ante o bom discurso do marido. E o resto da temporada se desenrolam sub-dramas que sobem e descem conforme o humor de cada personagem. O pior embate fica com Sarah que sofre uma dura rejeição do ex-marido e com sérios problemas na empresa da família que acaba quase por pedir falência; Kevin perde o namorado para uma missão evangélica na Malásia e acaba voltando para Scotty (com um lindo desfecho); Tommy sofre com a mulher deprimida com a perda do filho e acaba se rendendo a necessidade de uma amante; tio Saul que sempre foi um personagem para lá de coadjuvante volta ao foco da trama ao revelar sua verdadeira opção sexual.

Fim de uma era
Depois da polémica que resultou no fim da participação de Isaiah Washington de Grey’s Antomy, eis que o criador de Brothers and Sisters, Jon Robin Baitz também foi retirado do comando da trama ainda no começo deste ano. Tudo começou com discussões entre criador e executivos da ABC que chegaram a estender-se ao elenco. Contudo, a razão que levou Baitz a abandonar a série – citando-o, “Existe uma grande diferença entre ser despedido e demitir-me” (declarou à Reuters) – foi a discordância no que tocava ao desenvolvimento da série e das suas storylines.

A visão que Baitz tinha para a série é bastante diferente daquela dos executivos da estação televisiva americana: enquanto ele queria desenvolver as histórias de modo a dar mais ênfase às personagens de Sally Field e Patty Wettig – que, na série, interpretam Nora e Holly, respectivamente -, ao mesmo tempo que criar histórias mais dramáticas e maduras, eles queriam que a série focasse as personagens mais jovens e que se ficasse por um tom agridoce, onde o humor seria uma constante e, assim, o produto final agradasse a um público mais vasto. Por isso, não tendo possibilidade de se fazer impor, e não querendo escrever os episódios de uma forma que não correspondia à sua visão, Baitz optou por sair – fato esse que pode muito bem influenciar não só a qualidade dos próximos episódios, como também a longevidade da série.

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