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PELO AVESSO
Britney Spears rejeita título de princesinha do pop e se situa entre o trash e o cool
Por Paulo Floro

Na música “Piece Of Me”, do seu mais novo disco Blackout, que chegou às lojas na última quinta-feira, Britney Spears diz “eu sou a Miss “Sonho Americano” desde os meus 17 anos”. A letra nada discreta faz um apanhado da atuação da cantora na mídia em tempos recentes. Ela continua: “não importa se eu estou em cena ou fugindo para as Filipinas / Eles continuam colocando fotos da minha bunda nas revistas”. E completa, tentando ser irônica, “Tente me aborrecer / Faça como o paparazzi (…) / Espere que eu vou começar um “barraco” / E acabar em um tribunal”. As peripécias de Britney na imprensa já se tornaram parte do imaginário da artista no mundo pop. Britney atropela pé de pedreste, Britney perde a guarda dos filhos, Britney agride papparazzi, sem falar das várias vezes que as lentes dos fotógrafos viram sua vagina.

A música pop cobra um preço caro pela fama. Não são poucos os que sofrem a pressão de serem idealizados e adorados pelo planeta inteiro. Das recentes estrelas – Justin Timberlake, Cristina Aguillera, só para citar alguns – Britney Spears foi a que atravessou de maneira mais traumática a bolha da perfeição criada pela indústria fonográfica. De “Miss Sonho Americano” passou à artista subversiva, porralouca, drogada, louca e outros adjetivos comumentes encontrados em manchetes relacionadas à ela. Desde que rapou os cabelos e ameaçou um fotógrafo com um guarda-chuva, a imagem da garota que cantava “Baby One More Time” ou mesmo hits sexy pós-puberdade como “I’m Slave 4 U” desapareceram para dar lugar à aparições catastróficas envolvendo geralmente sua atribulada vida pessoal.

A apresentação no VMA deste ano era a virada de mesa esperada pela cantora, mas só serviu para aumentar ainda mais o falatório em torno da sua decadência. Visivelmente fora de forma, Britney cantou o primeiro single de seu novo disco “Gimme More” de maneira apática. Para a platéia de VIP’s que assistiam, entre eles P. Diddy, 50 Cent e Rihanna era visível seu constrangimento. Até a apresentadora do evento, Sarah Silverman se aproveitou para fazer gozação ao afirmar que os filhos da cantora eram “os dois errinhos mais adoráveis do planeta”, além de imitar com a boca a vagina “tão conhecida” de Britney. Alguns especialistas e críticos chegaram a decretar o fim da carreira após a desastrosa apresentação.

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Para Britney cenas como essa se tornaram comuns. A demanda por suas peripécias é grande

Limite
Blackout, o novo disco de Britney teve o lançamento adiantado em duas semanas, por conta da pirataria e vazamento na internet. Primeiro da cantora em quatro anos, vendeu 124 mil cópias só no primeiro dia. É um grande feito para quem aparecia na mídia apenas para protagonizar desastres. Para uma parte da crítica americana, Britney fez um bom disco, apesar da maioria duvidar da real participação da cantora na produção do álbum.

Mesmo com ótimas vendas e certa aceitação da crítica, a cantora comentou o desconforto da cobertura que vêm recebendo da mídia no popular programa de rádio do comentarista americano Ryan Seacrest. “”As pessoas dizem o que querem e fazem o que querem. É triste quão cruel podem ser o mundo e as pessoas”, lamentou Britney. A entrevista aconteceu no dia seguinte ao lançamento de Blackout. Quando perguntada se estava fazendo melhor que podia para com seus dois filhos Sean Preston, 2 anos, e Jayden James, 1, afirmou: “Oh, Deus, sim”. Durante o julgamento que a fez perder a guarda das crianças, uma instrutora de habilidades maternais declarou que Britney “raramente conversava ou brincava com seus filhos” e que os meninos não tinham uma rotina normal. Atualmente a guarda está com o pai Kevin Federline, 29.

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Exemplo de mãe, Britney fuma e bebe na frente dos filhos, enquanto ajeita a peruca

O constante interesse da imprensa e do público pelas notícias relacionadas à cantora diz respeiro ao fato de Britney ter renegado seu título de princesinha do pop. Ao contrário de Madonna, a quem era comparada no início, Britney não tem controle de sua carreira, muito menos de sua vida particular. Isso, contudo, atua a favor dela. Poucos artistas conseguem fazer tanto sucesso e vender tantos discos mesmo numa difícil fase repleta de internações em clínicas de reabilitação, batalhas judiciais e apresentações ruins. Britney consegue até mesmo ofuscar artistas bem sucedidas como Beyoncé ou a emergente Rihanna. Mesmo fora de seu controle, ou sem um pingo de preocupação quanto à discrição de seus atos, Britney faz da sua vida, entretenimento.

CRÍTICA: NOVO DISCO, BLACKOUT É OUSADO, MAS DESCARTÁVEL

 

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