Blackout cumpre seu papel de divertir, mas é esquecível

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BRITNEY SPEARS
Blackout
[Jive, 2007]

britney-capa.jpgLonge da reflexão sobre sua atual condição e opressão da mídia sobre fatos relacionados à sua vida particular, tema de “Piece Of Me”, a quase totalidade das faixas de Blackout trata do velho tema espapista de curtir uma noite com alguém desconhecido. Praticamente não temos baladas neste novo disco, o primeiro após In The Zone (2003). Tem sexo, muito sexo.

“Its Britney Bitch” canta a ninfa logo após o play. Depois de ter fim da carreira decretada pelos críticos após a apresentação no VMA deste ano, Britney provou que ainda pode chamar atenção e conquistar os fãs. Prova disso são as mais de 120 mil cópias vendidas no primeiro dia de lançamento. Mesmo que sua real participação no disco possa ter sido emprestar sua voz para que os produtores – entre eles Neptunes, Danja, e Bloodshy & Avant – brincassem à vontade, hits para 2008 não vão faltar nesse Blackout.

Sussurrando e gemendo, a irritante voz de Britney é modificada em praticamente todas as músicas. Nada de discrição ou duplos sentidos, aqui é tudo bastante direto. Não há nenhuma vergonha em se mostrar vadia, suja e descaradamente lasciva. Elegância é algo que não podemos cobrar de Britney Spears.

“Break The Ice” parece feita sob medida para ser remixada e fazer a festa de clubes descolados. Sim, Britney é algo cool em toda sua estética nonsense. Nesta mesma linha, temos a surpresa “Heaven Or Earth”, de letra boba ao extremo e com uma impressionante base eletrônica disco pop e “Radar”, um electro rebolativo de refrão grudento. “Break The Ice” e “Perfect Lover” completam a gama de opções para aquecer uma pista de dança cujo objetivo é apenas ser divertida.

Outras faixas atrapalham um pouco a coesão do disco, como “Get Naked (I Got A Plan)”, típica faixa que remete ao estilo Timbaland de ser. O primeiro single “Gimme More” e “Ooh Ooh Baby” não tiveram artifícios suficientes para salvar o resultado final e são fracas, até mesmo comparadas a outras faixas do disco.

Britney é a diva sem sentimentos. Sua intenção aqui é soar como uma máquina – de sexo, de hits – e isso ela cumpriu com louvor. No entanto, por ser artificial demais, o disco corre o risco de enjoar o ouvinte após certo tempo e dificilmente será lembrado como um bom lançamento pop. O produtor Pharrel Williams decidiu dialogar não com os fãs xiitas, mas sim com um público que pode enxergar Britney como algo cool. Para isso, transformou este álbum em um retrato fiel do imaginário que as pessoas têm da cantora: fácil, vagabunda, sem noção. De fato, Britney entra no jogo, não se envergonha e faz um trabalho ousado para os padrões do pop comercial. Fora de seu público fiel, entretanto, a cantora terá dificuldade em ser lembrada enquanto artista. No fundo, a sua âncora para não se perder no esquecimento é mesmo sua trágicômica vida pessoal. [Paulo Floro]

NOTA: 5,5

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