TIPO EXPORTAÇÃO
Estilistas brasileiros mostram muito talento em Nova York e Londres
por Fernando de Albuquerque

Sabe aquele tempo em que os estilistas do Brasil se destacavam nas passarelas internacionais por mostrarem trabalhos bem folclóricos com pinceladas bem regionalistas? Pois eles acabaram! Em um mundo cada vez mais globalizado, os representantes da terra de Peri (para ser bem folclorista) chegaram à maturidade apresentando coleções que podem ser consumidas por mulheres de várias nações, mas ainda assim mantendo uma espécie de DNA brasileiro.
Na última temporada de Nova Iorque, que aconteceu entre os dias 8 e 15 de setembro, os brasileiros fizeram bonito na Olympus Fashion Week, como é chamada a semana de lá. E nada do ideário pueril visto na Fashion Rio ou São Paulo. Os americanos tiveram a oportunidade de ver os biquínis de luxo da Rosa Chá (que mesmo sendo clichê aqui na terrinha, mantém um certo staff no estrangeiro), os vestidos red carpet de Carlos Miele, a berchwear boho-chic da Cia. Marítima, o minimalismo conceitual de Francisco Costa, na Calvin Klein e a criatividade do festejado Alexandre Herchcovitch.

Novidades – Pela primeira vez, Amir Slama, estilista da Rosa Chá, optou por apresentar a próxima coleção apenas em Nova York. O fato de ter abandonado a São Paulo Fashion Week (SPFW) na última edição criou um certo mal-estar entre os fashionistas brasileiros, mas o argumento é simples: desfilando em Nova York ele tem a oportunidade de atingir a imprensa e os compradores do Brasil e fora dele. O que é muito procedente, afinal chega de oba-oba tupiniquim.

A Rosa Chá é macaca velha e desfila na Olympus Fashion Week há seis anos, onde costumava repetir a coleção apresentada na SPFW. O que sempre foi considerado um erro, pois quando se repete um desfile a coleção perde o encanto. Desta vez, em NY, Slama apresentou biquínis chiques e extravagantes, ideais para serem usados nas badaladas praias do jet-set internacional.

A Cia. Marítima também estreou nesta edição do evento e teve grande presença na mídia por ter em seu casting a top model tcheca Karolina Kurkova. A Cia Marítima é a marca de moda praia do Grupo Rosset, conhecido pelas criações de lingerie da Valisére e a maior tecelagem produtora de tecidos com lycra entre os países sul-americanos. Foi criada em junho de 1990 e é a maior empresa do setor de moda praia da América Latina. Na passarela, biquínis tropicais, com a cara do Brasil.

Tapete Vermelho – Outro que desfila na Big Apple há nove temporadas é o paulista Carlos Miele, dono da M. Officer. Ele desistiu de desfilar na SPFW em 2002, quando se desentendeu com o organizador do evento, Paulo Borges. Na época, colocou a boca no mundo e disse que algumas editoras de moda não entendiam o seu trabalho. O carinho que, ele reclama, lhe faltou no Brasil, sobra nos Estados Unidos, onde as americanas são fãs de carteirinha dos vestidos de festa, longos e cheios de detalhes, que são o forte de Carlos Miele. Cada vestido seu é vendido por cerca de 3 mil dólares em 93 pontos de 22 países. Paralelamente à marca própria, Miele ainda cuida das 62 lojas da M. Officer no Brasil.

Mineirismos – Há quatro anos à frente da Calvin Klein, o mineiro Francisco Costa coleciona sucessos desde que assumiu o comando da divisão do prêt-a-porter feminino, o carro-chefe da marca. É lógico que a imprensa americana não considera Costa um estilista brasileiro, afinal de contas, ele construiu toda a sua carreira fora do país.
Ele já foi assistente de Oscar de La Renta e de Tom Ford na Gucci, antes de ir para a Calvin Klein. Mas, em entrevista ao New York Times no último mês, Costa afirma que o fato de ser brasileiro tem grande influência em seu trabalho. “Eu acho que todas as raízes e o seu background te dão o espírito, aquela coisa que vem automaticamente no trabalho”. Em sua última apresentação, ele criou vestidos com alças e muitas sobreposições, consolidando o estilo que vem construindo na CK.

Mercador – Acostumado a ser ovacionado pela crítica de moda brasileira, Alexandre Herchcovitch decidiu desfilar em Nova York em 2004 em busca de compradores internacionais. Desde então, repete o desfile apresentado na SPFW. A imprensa americana ora elogia o trabalho de Alexandre ora critica. Após seu desfile no último dia 9 de setembro, ao mesmo tempo que o New York Post classificou a coleção de “jovem e esperta”, o New York Times criticou o estilista pelo uso de cores muito primárias.
Mas Herchcovitch é um comerciante assumido e se importa muito mais com as vendas do que com as críticas da imprensa americana, que tem fama de bairrista. Depois que começou a desfilar em Nova York , ele alcançou fama mundial. Hoje vende em 60 lojas no exterior, em países como Japão, Estados Unidos, Inglaterra, França, Canadá, Coréia, Cingapura e Espanha.

Terrinha da Rainha – Dois brasileiros caíram nas graças do público londrino. Daniella Helayel, estilista da marca Issa, e o santista Bruno Basso, da dupla Basso & Brooke, que já é veterana na London Fashion Week. Daniella, que é advogada, começou a investir na moda depois de notar o quanto era difícil encontrar vestidos que caíssem bem ao corpo brasileiro. O sucesso foi imediato e hoje ela tem entre suas clientes gente como Kate Moss e Claudia Schiffer. Em Londres há cinco anos, Daniella tem pontos de vendas em mais de 30 países. Mais uma vez na London Fashion Week, que aconteceu de 18 a 22 de setembro, a estilista mostrou vestidos estilosos e confortáveis.

Já a marca Basso & Brook é conhecida por sua irreverência e cores sempre vibrantes. Bruno Basso e Christopher Brooke ficaram conhecidos em 2004, quando ganharam um concurso para novos talentos em Londres. Hoje vendem nas principais capitais da moda de Europa e também em Nova York. Em 2006, desfilaram como convidados na SPFW. Fiéis ao estilo irreverente, colocaram na passarela modelos que mais pareciam bonecas, diferente do estilo do ano passado, quando as cores fortes predominaram.

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