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ESTACIONADOS NA VANGUARDA
Japoneses do Boris exibem estagnação criativa com mais um disco de metal experimental que não aponta para nenhum caminho
Por Paulo Floro

BORIS
Smile
[MISC, 2008]

Com nada menos que 17 discos de estúdio, a banda experimental japonesa Boris ainda procura novas formas para seu metal. Barulheira dos infernos, o novo álbum Smile chegou às lojas este mês com a alcunha de se tratar do mais acessível disco da banda. Puro embuste.

De fato, em comparação com outros discos, Smile está mais próximo de outros públicos que não os fanáticos pela banda. No entanto, as idiossincrasias ainda estão presentes, entre elas a obsessão de se colocar reverbs, ruídos e distorção de fundo, mesmo quando a melodia caminha para um pop bem construído e harmônico, exemplo de “Tonari No Sataan”. Neste medo de saltar as amarras dos conceitos que criou, Boris corre o risco de se enclausurar, fazendo sentido apenas para seguidores fiéis.

Entretanto, nota-se alguns avanços em Smile. A primeira é o uso de vocais em todas as faixas. Antes, vozes eram apenas pontuadas, usadas como sampler ou mesmo relegadas a uma única música. Agora, eles cantam muito, inclusive em japonês. Outra novidade é a presença de Michio Kurihara, do Ghost, e Stephen O’Malley, do Sunn O))), antigos colaboradores do Boris. Segundo afirmaram em entrevistas, neste disco, eles puseram mais humor e mais manipulação de som, com mais sampler e uso de bateria eletrônica.

Formado por Atsuo, Takeshi e Wata, o Boris possui seu próprio universo de referências e um público grande fora de seu país. Com Smile tentaram produzir algo fora do formalismo experimental e sem a necessidade de tanta desconstrução sonora, mas ainda assim o álbum peca pela pura falta de boas idéias. Afinal, uma banda com um trabalho tão prolífico não precisa fazer o mesmo álbum todas as vezes. O que conseguiram, há de convir, foi permanecerem no posto que ocupam dentro da vanguarda do rock. E talvez, seja este o problema do Boris. Eles estão no mesmo lugar há anos, sem mexer um milímetro.

NOTA: 6,5

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