Justin Vernon e sua gelada trilha-sonora particular
Por Paulo Floro

BON IVER
For Emma, Forever Ago
[Jagjaguwar, 2008]

É curioso como solitários cantores de indie-folk conquistam corações e mentes sem fazer muito alarde. Ninguém conhecia Justin Vernon, quando, em setembro do ano passado ele lançou For Emma, Forever Ago de forma independente. Não demorou para as mais importantes revistas e sites especializadas louvarem o trabalho. Discreto vanguardismo? Força nas composições? Hype?

O tom conservador das canções refuta as questões acima. E após algumas audições, podemos concluir que o repentino reconhecimento é o fato de que Vernon é mesmo um cantor talentoso. Longe de querer ser o novo bardo americano, suas letras seguem a mesma trilha de ícones como Jeff Buckley e Nick Drake. Vernon conserva até mesmo a solidão e aparente isolamento do resto do mundo. O disco foi gravado durante os quatro meses em que passou sozinho numa cabana no meio da neve após o desmembramento de sua antiga banda DeYarmond (que também ninguém conhecia).

Extremamente minimalista, as músicas são feitas de silêncio, falsetes e alguns acordes de violão. Tudo para tornar evidente a poesia e capturar o exato momento da fragilidade de estar só. Num disco cheio de introspecções, algo próximo da catarse fica por conta da balada cheia de ressentimentos de “For Emma”. O resto faz juz ao nome gelado e bem apropriado da banda, “Bon Iver” (bom inverno, em francês).

NOTA: 8,5

Ouça “re:Stacks”

Bon Iver ao vivo nos estúdios da rádio americana 89,3

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