Fãs incansáveis brilham olhos por sobras de Dylan
Por Gabriel Gurman

BOB DYLAN
Tall Tale Signs
[Sony BMG, 2008]

Tell Tale Signs é o recém-lançado álbum de Bob Dylan, um dos maiores músicos da história da música americana e mundial. Como está imponência icônica está longe de ser simplista, o álbum é o oitavo (!) volume da série de Bootlegs que Dylan lança desde o começo de sua carreira. Haja inspiração!

Assim como os outros sete volumes, o disco, duplo, compila gravações inéditas referidas ao período de 1989 até 2006. Lá estão demos, versões ao vivo, músicas raras e tudo aquilo que faz seus fãs delirarem e seus “inimigos” terem provas ainda mais concretas que Dylan faz parte do passado.

O período de sete anos englobado no álbum é exatamente aquele onde a carreira de Dylan se mostrou mais infrutífera tornando este que é um dos maiores compositores em língua americana de todos os tempos uma espécie de paródia de si mesmo. Logicamente, dizer isto de Bob Dylan é extremamente ousado, mas não se pode comparar a qualidade de seus discos lançado na década de 60/70 com os trabalhos mais recentes compilados nesta coletânea. Mas nem por isso o disco não deve ser ouvido. Muito pelo contrário.

Tell Tale Signs traz, por exemplo, uma “dylanesca” versão de “32-20 Blues”, música gavada pelo maior dos bluesman, Robert Johnson, uma das grandes influências de Dylan, mas que nunca teve uma música registrada em sua (desgastada) voz. A inédita “Red River Shore”, também não faria feio nos álbuns mais recentes do cantor. Por outro lado, como está implícito, as melhores canções desta fase já estão nos álbuns lançados oficialmente, portanto, se você não é fã ou quer tentar começar a entender Dylan a partir destas 27 músicas, desista!

A primeira impressão que se tem ao escutar o disco pela primeira vez é a de que um álbum duplo tenha sido exagero. As cinco canções gravadas ao vivo, por exemplo, mostram aquilo que é amplamente discutido nas apresentações de Dylan mundo afora: O poeta desconstrói e reinventa suas canções deixando-as praticamente identificáveis para a maior parte do público que, por isso, não interage com a apresentação e acaba por descrever o pai de Jakob como “chato, estrela, difícil”. De outro lado, estão aqueles fãs mais devotos que, por este mesmo motivo, o consideram “gênio”.

Deixando a discussão do lado, é inegável que as versões apresentadas para “High Water”, “Ring Them Bells”, “The Girl On The Greenbriar Shore”, “Lonesome Day Blues”, e “Cocaine Blues”, não são das mais felizes, excluindo-se esta última. Mas, como todos nós sabemos, Dylan (e seus devotos) pouco se importam com críticas e críticos e continua lançando trabalho atrás de trabalho em uma das mais produtivas carreiras da história da música. Ou seja: ouça, mas, gostando ou não (e contrariando aquilo que o poeta diz), look back…

NOTA: 6,5

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