Bloc Party | Silent Alarm
NOTA7.5

Bloc Party

Bloc Party - Silent AlarmSer a “banda cool” do momento não é só estampar a capa de revistas descoladas, receber 5 estrelinhas dos maiores críticos do mundo e ser comparado a grandes nomes do reinado pop como o Cure. Para ser a próxima grande coisa do circo pop, é preciso ter no mínimo atitude e saber ser criativo em aproveitar ao máximo do legado deixado pelos figurões nas últimas décadas.

E isso o Bloc Party soube fazer bem. Na grande pressa em que vive o rock, poderíamos dizer que o grupo é a sucessão do Franz Ferdinand – um grupo que não completou um ano desde seu disco de estreia. Aliás, o Bloc Party começou a carreira abrindo shows do Franz Ferdinand. Mas são tão inúteis as razões pelas quais a banda tornou-se pauta principal em inúmeras publicações; por isso o Bloc Party fez sua estreia, Silent Alarm, com despretensão tamanha que conquistou pistas e shows por aí. Quem ainda não dançou “Banquet”?

Formado em 2002 nos EUA, a banda é liderada pelo atual papa cool, Kele Okereke. Existem inúmeras listas e fóruns que apontam Kele como uma das pessoas mais cool da estação. Adeptos do chamado neo-new wave, estilo que se apropria dos vocais amargurados-alegres e guitarras com eco de bandas dos anos 80 como o Cure, o Bloc Party tornou-se sem querer o principal representante do “movimento”. Cumprindo com notas máximas todas as influências e características da nova onda retrô que varre o imaginário rock atual, a banda aposta tudo na embalagem; roupas, clipes, entrevistas. No ano passado já tinham lançado um EP, que já possuía a estourada “Banquet” e que os fez estourar em festas descoladas. Abrindo com “Like eating Glass”, a banda mostra que o rock cada vez respira novos ares. As primeiras faixas de Silent Alarm são um convite descarado ao hedonismo, dançantes, pujantes. Suas guitarras possuem personalidade, pontuam todo o disco com em “Positive Tensions” e a já citada “Banquet”.

Por um momento parece que estamos ouvindo um Robert Smith mais alegre. O Bloc Party é a banda – ao lado do Interpol – que soube utilizar de modo inteligente o estilo e o som de bandas oitentistas sem parecer uma recauchutagem. Como um jato em queda, o desespero contagiante e as batidas urgentes do início dão lugar a um marasmo dark no final.

Mas até entre elas encontramos pérolas como “Luno”, com seu baixo veloz e vocal abafado. Bloc Party não tem ares de uma novidade incendiaria e talvez seu hype não vingue, mas quem terá interesse de discutir isto depois de Silent Alarm? [Paulo Floro]

BLOC PARTY
Silent Alarm
[Vice,2005]

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