INDIE É O QUE HÁ Parte 2
Enquanto o Bloc Party mostra uma sofisticação inédita, o Kaiser Chiefs mostra um desespero pop que beira o constrangimento
por Paulo FloroBLOC PARTY
A Weekend in The City
[Warner, 2007]

Ninguém esperou pelo segundo cd para dizer que o Bloc Party era uma das bandas mais importantes da Inglaterra. Não a mais legal, a mais brilhante, mas sim a mais importante. A música britânica mudou com o disco Silent Alarm, de 2005, e portanto, o dever de corresponder a esta importância imposta é grande. Assim que caiu na rede, no final do ano passado, muitos rejeitaram o som do novo disco. Lançado este mês no Brasil, A Weekend In The City é uma prova da autêntica criatividade da banda, sobretudo do seu líder Kele Okereke. Filho de nigerianos, Okereke estudou Literatura na Universidade e colocou seus dotes e conhecimentos neste álbum. A poesia de Keats e o noticiário jornalístico foram a inspiração, posto que as letras são intimistas, ao mesmo tempo em que questiona o mundo lá fora. Mas o disco, apesar de deixar para trás a energia do primeiro, ainda tem o vigor juvenil que consagrou a banda. Mais amargo e melancólico, o primeiro single escolhido, “The Prayer” reflete bem isso, com um pendor para o deprê, apesar de ser um animada balada, que lembra o primeiro single da banda, “Banquet”. Embalado pelas declarações de uma suposta homossexualidade do vocalista, a impressa acabou nem dando muita atenção às múltiplas facetas deste A Weekend In The City. Um passo à frente ao som que criaram quando surgiram, o álbum fala de Londres, política, sexo, relacionamento e, por que não, amores gays. O segundo disco do Bloc Party não tem a pressa característica de fenômenos do rock. Nenhuma faixa tem cheiro de hit instantâneo. Mais do que isso, é um disco para ser apreciado, por mais que tenhamos nos esquecido de como fazer.

NOTA: 8,0

Veja Mais: Bloc Party – Silent Alarm

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