MAMÃE, TOU NA PISTA
Banda americana chega às prateleiras com disco que renega o sonoridade de baixa qualidade e assina embaixo no nome da despretensão
Por Fernando de Albuquerque

BLACK KIDS
Partie Traumatic
[Almost Gold, 2008]

O Black Kids é aquela típica banda que começou a fazer sucesso na internet. O quinteto, que nasceu em 2006 na Flórida, lançou no ano passado um EP Wizard Of Ahhhhs e ganhou as pistas e enormes elogios da imprensa especializada. A tensão entorno do novo disco, lançado no começo do mês, fez fãs comprá-lo na pré-venda já que todos queriam saber se a banda conseguiria reproduzir o mesmo sucesso de “I’m Gonna Teach Your Boyfrend How To Dance With You” que embalou muita gente em clima de paquera mundo afora. E só para mensurar o sucesso do Black Kids, as sete das 10 canções que estão no álbum de estréia já tinham sido lançadas como singles, disponibilizadas no MySpace ou simplesmente vazado na web – tudo em versões “amadoras”, sem sofisticação técnica – e vinham causando enorme comoção.

A banda agora está sob a batuta do selo Almost Gold que lançou bandas como Does It Offend You, Yeah? e contou com o mesmo produtor de Cajun Dance Party, de Duffy e de Aimee Mann. E com essa mistura tão acertada, o insucesso aparece como algo quase que impossível para o Black Kids.

Despretensão, nonsense, música para entretenimento, para chamar os amigos para beber e curtir uma noitada são algumas das palavras e expressões que norteiam toda a “indumentária” fonética do de Partie Traumatic. O ouvinte não deve esperar arranjos memoráveis, letras épicas, profundas e identificáveis, mas apenas algo para deixar no som do carro colocando-o no máximo volume para tentar surpreender pedestres despretenciosos que estão no sinal, ou então para uma paquera bem furtiva com o ser da janela ao lado. São refrões grudentos, guitarras e sintetizadores funcionando ao máximo e um climinha infantil.

A qualidade é que assola o novo disco do Black Kids. E a pergunta que não quer calar? Isso é bom ou ruim? Reggie Youngblood em alguns momentos soa afetada demais, mas dá para engolir. “Hit the Heartbrakes”, que abre o disco, possui falhas propositais da cantora que parece não alcançar metade das notas para as quais foi escalada. Já em “I’ve Underestimated My Charm (Again)” a mixagem é que chama atenção ao máximo. Já “Listen To Your Body Tonight” é uma verdadeira releitura de We Say Party! We Say Die!, Be Your Own Pet, Yeah Yeah Yeahs e ainda rápidos traços da música dos princioais girl-groups do mundo, que faz o ouvinte rodar as mãozinhas ou bater palmas. Entre as canções novas, nenhuma se destaca em especial, mas “I’m Making Eyes at You” desperta certo interesse e nos faz lembrar que os anos 80 existiram.

“I Wanna Be Your Limousine” e “Look At Me (When I Rock Wichoo)” são a dupla que finalizam o CD que está bem perto de entrar no top 10 de 2008. As músicas são bem claras e nasceram para fazer as pessoas requebrarem, o problema é que, sometimes, os fãs tem uma pequena vontade de trazer de volta a sujeira novemente.

NOTA: 7,0

[audio:http://homepage.mac.com/backtothesound/.Public/01%20Hit%20The%20Heartbrakes.mp3]
Hit The Heartbrakes

[audio:http://homepage.mac.com/backtothesound/.Public/05%20I%27m%20Making%20Eyes%20At%20You1.mp3]
Making Eyes At You

[audio:http://blog.datasapiens.net/dsaudio/Black%20Kids%20-%20Boyfriend%20(Twelves%20Remix).mp3]
“I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend Dance With You (The Twelves Remix)”

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