Shepherd in a Sheepskin Vest, é um daqueles discos que necessita de um comprometimento, um tempo livre, o que é algo alienígena nos dias que correm

vai na contramão com um disco sem pressa
NOTA8.5

O novo disco de Bill Callahan, Shepherd in a Sheepskin Vest, é um daqueles discos que necessita de um comprometimento, um tempo livre, um “namoro”. Adentrar os detalhes de seus arranjos e seu entrelace entre letra e instrumentos requer muitas e muitas audições.

Por isso, trata-se de um disco que soa quase alienígena nos dias de hoje. Está no extremo oposto da dinâmica que vivemos nessa era do streaming, playlists e sugestões de músicas por algoritmos. Com mais de uma hora de duração, o álbum traz arranjos acústicos e batidas precisas que parecem distender o tempo.

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A voz de Callahan segue mais nítida do que nunca e aqui a interpretação do músico vai variando entre o humor e a sobriedade (o que supera o seu trabalho anterior de estúdio, Dream River, de 2013). Mais sofisticado, Calahan fala aqui de observações da vida, coisas ordinárias e filosóficas, mas com um tom de humor e tiradas espirituosas.

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Com sua voz de barítono, Callahan abandona as interpretações sombrias e o tom pesado para fazer um disco sobre o ser doméstico, de peito aberto. Chega a ser hipnótico. Quem o acompanhou no seu folk mais pop de Sometimes I Wish We Were An Eagle ou a pegada mais dark de Dream River, pode estranhar este aqui. Mas para quem quiser adentrar a proposta mais íntima desta sua nova fase vai curtir um compositor e cantor na melhor fase de sua carreira.

BILL CALAHAN
Shepherd in a Sheepskin Vest
[Drag City, 2019]

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