MANSA, MAS AINDA PODEROSA
Mais intimista, Beyoncé pisa no freio na sua embalagem de emancipação feminina como tentava deixar claro o primeiro single

Por Marco Antônio Vieira
Colaboração para a Revista O Grito!

A partir da primeira faixa do álbum, “1+1”, já se percebe uma mudança radical na sonoridade que consagrou Beyoncé no R&B/Pop contemporâneo, que já se anunciava no trabalho anterior, I Am… Sasha Fierce. Uma balada bem lenta, com vocais embargados por um pretendido soul clássico. Em entrevista dada recentemente, a cantora afirmou que, entre suas inspirações para o novo trabalho, estavam Adele e Florence and The Machine. Da primeira, ela parece ter se apropriado da ênfase nas letras que tem como eu-lírico uma mulher apaixonada, e da segunda, o número de vendas mais comportado.

“I Care”, uma balada mais rápida, mais incisiva, acelera o ritmo do álbum de 12 faixas. Com o refrão entoado com força ‘Eu sei que você não se importa muito, porém eu ainda me importo!’, cresce em arranjos grandiosos e vocais de acordo. “I Miss You” chega com vocais modificados, eco digitalizado e guinada lenta. É a balada da saudade por excelência, que se concentra nesse sentimento universal, ao contrário dos que dizem os pseudonacionalistas brasileiros.
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“Best Thing I Never Had”, autêntica balada de revanche por ter se livrado de um relacionamento ruim, entoa versos como ‘você acabou sendo a melhor coisa eu nunca tive’. Fica claro aqui como a média de duração das músicas do disco é curta, porém com efeito intenso. “Rather Die Young” é um hino às paixões vividas ao máximo com versos feito ‘você é meu James Dean, me faz sentir como se eu tivesse 17 anos, você dirige muito rápido, fuma demais, mais nada disso importa, porque estou viciada nessa’.

“Start Over”, como o título já insinua, propõe um recomeço, uma renovação no relacionamento. É a primeira melodia do CD que não agrada, parecendo realmente uma mulher insistente. “Love On Top” tem letra irritante e música extremamente clichê e ainda por cima é longa. “Countdown” é animada, só que infelizmente o que fica do título é a contagem regressiva pra acabar logo.

“End Of Time” retoma a qualidade do álbum e é basicamente uma declaração de amor e exigência de compromisso, com os versos “eu serei aquela a te beijar de noite, eu vou te amar até o fim dos tempos, eu serei a sua querida, eu prometo não te largar, te amarei feito louca, diga que nunca vai me largar”. “I Was Here” é um excelente prelúdio pro final desse trabalho, com letra bastante elogiada por sua universalidade: ‘Eu estive aqui, eu vivi, eu amei, eu estive aqui, sim, eu fiz tudo que queria, e foi mais do que eu pensei que seria, eu deixarei minha marca para que todos saibam, eu estive aqui’.

“Run The World (Girls)”, o primeiro single do disco e faixa que o encerra, foi um single que fazia propaganda enganosa do conceito do resto do álbum. Tem arranjos étnicos, refrão super chiclete e até flexível para versões alternativas. Rendeu um clipe elogiado, com dancinhas criativas e planos-sequência atípicos para um vídeo desse gênero. É um hino feminista, que deixa bem claro: ‘ Minha persuasão pode construir uma nação, poder sem fim, o amor que nós podemos devorar, você faria qualquer coisa por mim, quem governa o mundo? As garotas.’.

De fato, Beyoncé pode até não ter um desempenho expressivo nas paradas com 4, porém ainda comanda.

BEYONCÉ
4
[Columbia, 2011]

8,0

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