UM OLHAR ATENTO SOBRE A REALIDADE
Violento e difícil. Pequeno perfil de Beto Brant
Por Claudia Vital

O nome Beto Brant pode não despertar sua memória, mas certamente algum trabalho desse cineasta já lhe chegou aos ouvidos. E se não chegou, eis a ocasião. Brant fez filmes como Os Matadores (1997), Ação Entre Amigos (1998), O Invasor (2001), Crime Delicado (2006) e o atualíssimo Cão Sem Dono. O paulista nascido na cidadezinha de Avaré tem 43 anos e trabalha há 20 com cinema. Começou fazendo vídeo clipes e curtas-metragens. Hoje é considerado um dos cineastas mais conscientes do cinema brasileiro.

Os filmes de Brant parecem começar e terminar com reticências. Seu último filme, Cão Sem dono, tem um olhar mais do que intimista – passa a sensação de algo documental. É como se mesmo depois do final da narrativa seus personagens continuassem a existir, seguindo caminhos tortuosos e sentindo na pele o que é ser fruto dessa época. Uma representação quase naturalista, traçada através da vida conturbada de um jovem de classe média baixa no sul do país.

Premiado cineasta, Brant faz coleção de reconhecimentos. Foi contemplado como melhor diretor no Festival de Gramado, do Rio, de Brasília, de Miami e este ano no Cine PE. Na década de 90, o vídeoclipe que fez para a banda Os Titãs lhe rendeu o MTV Brasil Music Awards e seu filme Jô garantiu o prêmio de melhor curta-metragem no Festival de Havana.

Conhecido como um dos cineastas que realizaram seus primeiros longas-metragens no período da “retomada do cinema brasileiro”, a partir da segunda metade da década de 1990, Brant não abre mão da sua dignidade para se inserir na grande mídia. Os filmes dirigidos por ele têm um sempre um projeto estético e político onde a literatura tem papel principal. É o caso do seu último filme, feito a partir do livro Até O Dia Em Que Seu Cão Morreu, do escritor gaúcho Daniel Galera.

Os primeiros trabalhos do diretor são caracterizados por contínuos fluxos narrativos destinados a causar impacto. “Seus filmes são enxutos, dizem a que vêm não se apóiam em grandes estrelas e medalhões, mas sempre se sustentam em excelentes roteiros e ótimos atores e atrizes”, afirma o fã Rogério Christofoletti. Nos últimos tempos, o cineasta vem primando por planos fixos e seqüências demoradas, sempre em um contexto deveras realista.

Trailer de Cão Sem Dono

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