A artista pernambucana Beth Da Mata apresenta performance nesta terça (3) no no espaço Garagem 94 (Rua do Apolo, 94, Bairro do Recife), às 17 horas. Na ocasião, Beth partirá das sementes do milho crioulo para pensar processos de invisibilidade causados pelo poder de determinadas formas de consumo.

Após dois meses de pesquisas artísticas em Lisboa, a artista pernambucana parte de seu processo interno de descolonização na performance Reconciliação. Durante o período em que residiu na capital portuguesa, a artista se deparou com um forte sentimento de familiaridade, principalmente no Norte e no Centro do país. “Parecia que eu estava na casa da minha avó paterna ou em Garanhuns, cidade da família materna, nas festas de rua e o mesmo guisado compartilhado entre amigos e familiares”, relata a artista, via e-mail.

Observou ainda a presença de imigrantes africanos, ainda hoje encarregados de trabalhos manuais; as ambiguidades das aberturas e fechamentos dos portugueses diante dos estrangeiros; e, principalmente, a precariedade de um país afetado por incêndios recorrentes de contornos político-econômicos. No Brasil, Beth da Matta também identifica esquemas semelhantes através dos quais poder gera invisibilidade, mas se dedica agora a uma questão específica: como determinadas formas econômicas que têm poder invisibilizam modos mais solidários e saudáveis de consumo.

“Uma das questões de que quero tratar vem de uma pesquisa mais longa venho realizando sobre os povos indígenas. A princípio, me chama a atenção o modo como o milho tem se tornado elemento de resistência diante da desvairada produção industrial do milho transgênico. As sementes do milho crioulo, que vêm sendo protegidas, produzidas e partilhadas por ele, têm mudado as relações das comunidades com as instituições públicas e privadas, gerando mais autonomia e levando-os a consumir um alimento de melhor qualidade”, explica

Na performance, Beth da Matta apresentará gráficos e mapas com dados técnicos e teóricos importantes sobre a produção e o consumo de milhos transgênico e crioulo em Pernambuco, especificamente, e no Brasil, de um modo geral. Além disso, produzirá uma panelada de angu com galinha guisada. Na ocasião, a crítica de arte Joana D’Arc, estará presente para um debate com o público.

Beth da Matta é artista performática e também curadora. Ela é a diretora do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, o Mamam, no Recife.

A entrada para assistir à performance é gratuita.

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