Besouro deveria se chamar mosquito dado seu resultado raquítico
Por Daniel Herculano, colaboração para a Revista O Grito!

BESOURO
João Daniel Tikhomiroff
[Brasil, 2009]

Besouro Mangagá (1895-1924) foi um lendário capoeirista do Recôncavo Baiano que era uma espécie de herói para os negros oprimidos. A lenda reza que tinha o corpo fechado e era devoto de orixás. Com tanta história, misticismo e preceitos da capoeira, o premiado publicitário João Daniel Tikhomiroff escolheu um material cheio de possibilidades para sua estreia na direção de longas. Mas seu resultado, Besouro (Idem, 2009), nada mais é do que decepcionante.

Com alguns bons movimentos de câmera, o ponto alto do longa são seus combates coreografados no ar, com o elenco puxado por cabos. Seu diretor de ação é o mestre Huan-Chiu Ku, experiência pura em fazer gente voar sem asas. Huan-Chiu Ku foi coordenador de artes marciais em Kill Bill Vol. 1 & 2 (2003; 2004) e O Tigre e o Dragão (2000). Coreógrafo de artes marciais em Máquina Mortífera 4 (1998) e A Múmia 3 – A Tumba do Imperar Dragão (2008). Mas se apenas lutas nos céus e coreografias de capoeira fossem capazes de fazer uma obra no mínimo divertida, Besouro seria ótimo.

Exato, seria. Se não existisse uma série de problemas como seu ritmo quebrado (de cortes ruins), história sem emoção (conectividade zero com os sentimentos de culpa do jovem capoeirista e sua perseguição pelas respostas místicas, quase risíveis) e elenco péssimo. A escolha pelos novatos foi uma aposta, mas uma aposta perdida, ruim. Ao chamar o capoeirista Aílton Carmo para o papel título, a possibilidade de demonstrar qualquer tipo de emoção foi para o saco. Lutar ele sabe, mas interpretar que é bom, nada.

Capaz de fazer pouco mais de uma hora e meia demorar meio século, a obra de ação brasileira voa com o destino ao esquecimento, e de tão raquítica, bem que poderia se chamar apenas mosquito.

NOTA: 4,0

Daniel Herculano é jornalista

Sem mais artigos