Beirut é pop sofisticado para o futuro

 

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BEIRUT
The Flying Cup Club
[Da Da Bing, 2007]

Beirut - The Flying Cup Club

O som dos balcãs do jovem músico americano Zach Condon já mostrou ares de renovação na música pop norte-americana desde seu primeiro disco, Gulag Orkestar (2006). Sua sonoridade sempre foi enquadrada em estereótipos, por pura ignorância do mercado fonográfico. A primeira é que se trata de música experimental, justo quando se inspira no cancioneiro popular cigano. A outra são rótulos que afastam o Beirut do mais puro pop. A sofisticação e referências inusitadas são o diferencial, mas não devem servir para afastá-lo.

Para quem superou os preconceitos e já sabe se divertir (e se emocionar) com o chamado “Gypsy Beat”, estilo que dá um F5 na decrépita denominação “world music”, Flying Cup Club que chega esta semana às lojas é felicidade instantânea. Condon voltou mais maduro neste segundo disco. O furor adolescente, que cultivava extremos – da tristeza romântica rasgada a histeria – deu lugar a um equilíbrio nas composições e arranjos. Trouxe também mais instrumentos e parcerias ao som, como o piano em “Cliquot”.

Influências francesas podem ser adicionadas ao caldeirão, fazendo deste disco mais ‘chic’ que o anterior. Mais delicadas, cada música é um pedaço de outro mundo, o que faz do Beirut uma marca facilmente reconhecível na música pop mundial. Com 21 anos, este garoto já lançou vários álbuns (desde os 15 já assinava como The Real People), entre eles três ótimos EP’s, Lon Gisland, Elephant Gun e Pompeii.

Este vigor juvenil faz parte do pacote estético-sonoro que tanto encanta críticos e ouvintes no mundo todo. Uma diferença que fará o Beirut lembrado com respeito pelas gerações seguintes. The Flying Cup Club até não pode superar o disco anterior, mas alguém ainda tem dúvida do caráter ímpar deste menino? [Paulo Floro]

NOTA: 8,0

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