BECK
The Information
[Interscope, 2006]

Quando em 2005 Beck lançou Guero, ninguém deu muita bola, apesar daquele ser um disco excelente, quase tão bom quanto Odelay (1996). No entanto, para a mídia em geral, Beck, o garoto-prodígio, retorna triunfal neste disco The Information. Desde quando passou a divulgar esse disco em shows, no mês passado, Beck chama atenção. Fez com que fãs gravassem parte de seus shows para depois editar tudo e lançar em DVD, mas antes que você diga que o Beastie Boys já fez isso, o Beck levou esta idéia também para a capa do disco, onde os fãs receberam uma cartela de adesivos para customizar cada um sua capa. Interatividade é isso. Agora ninguém mais pode reclamar que o Beck não aparece mais.

E pode nem parecer mas Beck Hansen já tem uns 20 anos de carreira nas costas. Imagine como é difícil lançar uma obra no mínimo relevante, quando se é dono de um dos discos mais explosivos de todos os tempos, que é Odelay. Então chegamos neste ano de 2006, com The Information e já percebemos: este disco não é nada, mas ao mesmo tempo é tudo. Não quero entrar em nenhuma viagem à la Fernando Pessoa, mas o que quero dizer é que não há nada que já não tenhamos visto em Beck neste disco. A fusão aparentemente caótica de rock e hip hop (“Dark Star”), os vocais embolados (“Elevator Music”), o country-electro (“Cellphone´s Dead”) e outros maneirismo beckianos. Este ‘igual mas diferente’ é o principal ponto fraco deste disco. Atirando pra todos os lados, Beck copiou-se como pôde. Apesar de afirmar em uma entrevista para a MTV americana que esse era o seu disco mais hip-hop. “Antes de começarmos as gravações, o Nigel (Godrich, produtor) disse que queria fazer um álbum hip-hop. E por um lado é (um álbum hip-hop), mas por outro não” disse Beck. Fora isso ainda temos faixas modorrentas como “Motorcade” e “Movie Theme”. Para ter saudades do Beck escute a faixa título e “Strange Appartion”, que apesar de lembrar os vocais de Pearl Jam, se trata ao menos de uma novidade no som do Beck.

Pra quem outrora reinventou a música rockeira norte-americana, hoje em dia, talvez não signifique muita coisa. [Paulo Floro]

NOTA:: 5,5

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