BACK TO BECK
Dois anos depois de lançar The Information, Beck Hansen retorna às prateleiras com um punhado de canções pra lá de empoeiradas e sem senso
Por Fernando de Albuquerque

BECK
Modern Guilt
[Interscope, 2008]

Aos 37 anos e com os cabelos compridos, o músico norte-americano, Beck Hansen, recorreu ao produtor Brian Burton, vulgo Danger Mouse (que já trabalhou com Gorillaz e Jay- Z), para produzir o seu mais recente disco, Modern Guilt, lançado oficialmente em oito de julho. Do começo ao fim, o CD mais parece uma espécie de best of de estilos abordados ao longo da obra do musicista que reiventou, a cada novo lançamento, o pop.

Em todas as faixas, não há nada de espantosamente novo e até certo ponto o disco mais parece uma listener’s digest capaz que consegue condensar em trinta e três minutos e trinta e oito segundos, o catálogo de talentos de Beck. Tal qual um vinil antigo rodando na vitrola, Modern guilt não é um Odelay, mas conserva de maneira tímida uma certa dose de sujeira cheia de charme. E isso, ele deve a Mouse já que juntos, eles voam de mãos dadas para algum lugar remoto dos anos 60. O disco é povoado por vocais etéreos e efeitos eletrônicos, mas com muitos instrumentos tocados e outros distorcidos – aqueles elementos sutis que fazem toda a diferença numa segunda audição. A boa química da dupla resulta em um trabalho que teve início com um encontro casual em foram apinhadas as principais referências para composição do “novo” álbum – com fortes revisitas ao rock dos anos 60 e 70.

E nessas referências, Modern Guilt parece nos transportar para uma atmosfera meio psicodélica alá Beach Boys como em “Chemtrails”, ou ao estilo dos ingleses The Zombies, a exemplo da faixa-título. E, como aqui tudo parece ter sido milimetricamente pensado para passar propositalmente despercebido, com a convidada Cat Power não poderia ser diferente. “Orphans” tem participação quase imperceptível de Chan Marshall nos backing vocals, assim como em “Walls”, cuja batida é acompanhada pelo que parece ser algo entre uma gaita de fole e um violino distorcido.

Baseado num riff stoner, Beck lembra bastante Josh Homme em “Soul Of A Man”. Esse é o lado mais rocker do álbum já que em “Pronfanity Prayers” ele repete a idéia já usada em “Gamma Ray”, mas a infiltração de um violão impede que a faixa caia no esquecimento. Em clima de mistério, o álbum termina com a linda “Volcano” que lembra Elliott Smith. Nela, ele canta: “Talvez tenha visto um fantasma/ não sei se são minhas ilusões que me mantêm vivo/ Eu não sei o que vejo/ Será tudo uma ilusão?”. Ganha um par de ingressos da promoção d’O Grito quem desvendar a charada. Eu acho que ele descobriu que gosta é de espada!

NOTA: 6,0

Sampler do Disco

Gamma Ray

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