A ABBEY ROAD BRASILEIRA
Beatles 4ever, o maior cover dos Beatles do país, resgata esteticamente toda a obra daquela que é uma das maiores bandas de todos os tempos
Por Mariana Mandelli

“Hey Jude, come together right now and get your ticket to ride!” Bem-vindo ao submarino amarelo (verde e azul) de Lennon, McCartney, Harrison e Starr. Não estamos em Liverpool. O cenário é São Bernardo do Campo (ABC Paulista) e quem está no palco é o Fab Four tupiniquim Beatles 4ever, o maior cover de Beatles no Brasil. A nossa banda do Sargento Pimenta e seus Corações Solitários conta, oficialmente, com cinco integrantes: Fabio Colombini, o John; Ricardo Júnior, o Paul; Marcus Rampazzo, o George (grande idealizador do Beatles 4ever e único membro original desde a formação da banda, em 1979); Ricardo Felício, o Ringo, e Edson Yoko, responsável pelos teclados e orquestrações.

A pretensão criativa do Beatles 4ever é o The Beatles Complete Works, projeto dividido em 16 espetáculos, que pretendem, cronologicamente, apresentar em cada show um álbum completo, respeitando a seqüência das faixas sem mudar um acorde. “Estamos fazendo algo que nem os próprios Beatles fizeram, porque eles pararam de fazer shows entre 1965 e 1966, época do Help! e do Revolver. Dali para frente, foi tudo em estúdio, onde se têm todas as possibilidades. Fazemos tudo na raça mesmo, sem sampler, playblack ou efeito”, afirma Colombini/Lennon, que estuda música desde os dez anos e se apaixonou por Beatles ao ouvir a coletânea Oldies (But Goldies). “Tive a idéia louca de fazer isso porque sabia que estava cercado de pessoas competentes. Esse aqui virou até canhoto pra fazer o Paul McCartney com mais perfeição”, brinca Felício/Ringo, apontando Júnior, o Paul. “Não é fácil para nenhum de nós, principalmente para o ‘Paul’ e para o ‘John’”, completa o baterista, que passou a gostar de Beatles aos 14 anos, quando trabalhava como roadie para o Beatles 4ever.

A cada mês um álbum diferente é apresentado. O último foi o Let It Be (1969), no dia 30 de maio. “Cada show é um álbum inteiro diferente do outro. Por mais que eu pense que sei tudo, tenho sempre que aprender algo. Nunca ninguém fez todos os álbuns nesse nível de detalhe”, afirma Júnior/McCartney, que se interessou pelo Fab Four aos quatro anos, ao fazer um comercial de televisão em que interpretava um dos Beatles. Ele já tocou no Ultraje a Rigor e agora integra o Faichecleres.

Além do disco completo, o show tem mais uma hora com os principais hits tocados com instrumentos e vestuários semelhantes aos usados pelo quarteto de Liverpool. “A gente se cobra muito, mas o resultado disso é o melhor que podemos fazer. Tiramos o máximo de cada um. Fica igual ao disco? Impossível, porque não somos os Beatles e os caras fizeram em estúdio. Temos limitações, mas dentro do que a gente se propôs, estamos felizes”, explica Colombini. E completa, com um sorriso de satisfação: “Quem não gostaria de fazer isso: tocar todas as músicas dos Beatles?”.

E como é viver de passado? “Realmente a época dos Beatles passou há muito tempo, mas, na verdade, o trabalho deles é atemporal. Você ouve e pensa: ‘Isso foi feito agora’!”, diz Felício/Starr. “O trabalho deles é tão moderno e recente que eu não enxergo de maneira passadista”, reflete Ricardo Junior, o Paul. Nosso Lennon completa dizendo que a mensagem das músicas também é atual. “As letras eram sempre construtivas e positivas”, afirma.

Os Beatles acabaram há quase 30 anos, mas continuam onipresentes como referência eterna dos amantes da música. “Todo mundo grava Beatles: U2, Oasis, Rita Lee e muitos outros. Isso traz para hoje o que poderia ter ficado na memória. Não é algo esquecido: toca em rádio, é tema de filme e do Cirque de Soleil”, lembra Colombini.

A história dos Beatles é também a história do mundo, como a própria letra de “Two Of Us” diz: “Você e eu temos memórias mais longas que a estrada que se estica adiante”. E essa estrada é “longa e sinuosa”, como é lembrado em “The Long and Winding Road”, como um tobogã sônico (Helter Skelter) por onde escorregam Lovely Rita, Sexy Sadie e Lady Madonna. Michelle, Anna, Julia, Penny Lane (nos ouvidos e olhos do mundo), Eleanor Rigby e todas as pessoas solitárias, Lucy e os diamantes celestiais, Jo-jo e a doce Loretta (get back!), Walrus e o homem-ovo, Desmond (obladi) e Molly (oblada) e tantos outros personagens do mundo psicodélico que os Beatles injetaram na cultura por meio do rock ‘n roll. “Sempre vai ter alguém revisitando essa obra. Eles são parte da cultura popular”, define Colombini/John.

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