Crédito: Lipcia Pereira/Divulgação

Quarteto paulista vai de Beatles a folk estranho dos Mutantes
Por Gabriel Gurman

BAZAR PAMPLONA
À Espera das Nuvens Carregadas
[Monga, 2008]

Difícil confiar em uma banda como o Bazar Pamplona. Afinal de contas, você levaria a sério qualquer grupo que tenha músicas como “Eu tomo uma Pepsi e ela pensa em divórcio” ou “Piscadelas e beliscões”? Compraria um CD cuja contra-capa informa que este é composto por “três quase-canções e quinze bônus deselegantes”? Se tornaria fã de quatro garotos que ameaçam se vestir de Power Rangers durante as apresentações? Se você é corajoso o suficiente para isso, parabéns! Você acaba de encontrar uma banda fantástica!

Este quarteto formado em São Paulo pelos não-paulistanos Estêvão Bertoni (voz guitarra e violão), João Victor (guitarra, gaita e vocais), Rafael Gaino (baixo, escaleta e vocais) e Caldas (bateria, percussão e vocais) acaba de lançar À Espera das Nuvens Carregadas, seu primeiro álbum. Produzido por João Erbetta (Los Pirata) e composto por um punhado de músicas que a banda já tocava em shows e disponibilizava em sites como o Trama Virtual (e que já estavam nas bocas dos fãs) além de algumas músicas inéditas, o disco já conquista nas tais três primeiras (quase) canções. “Nuvens Carregadas” dá o tom do que está por vir: músicas que buscam liberdade, tanto nas letras como na construção harmônica. E não é difícil imergir completamente no fantástico (e às vezes absurdo) mundo do Bazar Pamplona. Não são letras usuais mas passam a fazer completo sentido dentro do Universo proposto. Quando você menos percebe, está cantando de pulmão aberto “Eu fui apagar o sol / me disseram que no escuro é melhor viver / eu fui a copacabana de samba-canção / me disseram que era um traje social”, de “Afogou-se em Sugestões” ou “E se eu soluçar / então não tem solução / eu me consolo numa esquina da Consolação”, do hit “Agora Eu Sou Vilão”.

A primeira influência que se pode identificar claramente no som do grupo é dos Beatles, mas como isso não é exclusivo (longe disso), ao longo das músicas se pode observar outras que vão se misturando e cativando o ouvinte. Desde bandas inglesas como The Coral e Supergrass, passando por um folk estranho e o rock psicodélico de Mutantes. Do dream pop de “O idiota” até a melancólica “Era Dela”, que remete a Wilco, não seria nada mentiroso a contra capa nos informar que se trata de três hits certeiros e mais quinze bônus para você se esbaldar ao longo do dia!

NOTA: 8,5

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