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Título pretensioso esconde motivos rasos para matar um herói icônico e tirar dinheiro dos fãs numa saga sem muito sentido
Por Talles Colatino

BATMAN – DESCANSE EM PAZ
Grant Morrison (texto) e Vários Autores (arte)
[Publicado na revista mensal Batman, a partir do número 80, Panini, 100 págs, R$ 7,50]

“Você honestamente acredita que será capaz de fazer o que nem mesmo Coringa, Duas Caras ou qualquer outro foi capaz de fazer em todos esses anos, Doutor Hurt?”. Essa dúvida, feita pelo capacho Le Bossu ao seu chefe, é nossa também. Qualquer leitor em pleno domínio das suas tarefas cognitivas também se questionou quando foi anunciado o título da nova colaboração de Grant Morrison para o universo DC: Batman RIP.

Por tudo que Grant Morisson fez, não deveríamos nos incomodar com a ideia, mas matar Bruce Wayne parece algo que vai além de qualquer expectativa um dia gerada na cabeça de qualquer fã – ou não – do herói. Mesmo quando fez aparecer um filho, Damian, então eliminado da cronologia de Batman, ele nos convenceu. Mas prometer assassinar o morcegão parece ultrapassar certos “limites” que a figura quase mitológica de Bruce Wayne como Batman nos fez construir.

Talvez por causa dessa áurea que o personagem tem não seja bem isso o que acontece, apesar do estardalhaço que a saga fez lá fora, há quase um ano. Por aqui, a Panini passa a publicar em julho o que é, na verdade, uma série abençoada em arte, mas pecadora em um roteiro “over”. Na verdade, o problema não está no roteiro em si. É honesto e conectado, superando as expectativas mínimas que o nome de Morrison gera. O que sufoca a evolução narrativa são os exageros de algumas cenas, sejam em diálogos ou em certas sequências. Frases de efeito por trás de quadros sombrios e todos aqueles clichês de suspense para uma série que anuncia a morte já no título tornam Batman Descanse Em Paz um vudu só.

Ok, temos um Bruce mais do que nunca humano. O retrato de um herói fragilizado, questionador da sua importância enquanto vigilante de Gotham e apaixonado por uma mulher que não teme enfrentá-lo. Um momento ótimo para exigir umas férias e ir refrescar as ideias num balneário ensolarado. O problema está na Mão Negra, entidade liderada por Hurt, que diz ter um verdadeiro dossiê secreto sobre o passado da família Wayne. Começa aí a narrativa que a gente vai ver fragmentada em vários arcos e, consequentemente, várias revistas da Panini.

E essas divisões de intrigas em várias páginas das caras publicações da editora vão culminar num final raso (que a gente não vai spoliar aqui) da saga que tem o título mais pretensioso da história da DC e que vai arrancar do seu bolso uma quantia igualmente pretensiosa. O que vem aí não se basta como um arrasa-quarteirão over, mas também é um bem de consumo visionário. Sabe quando a manchete chama mais atenção que a própria notícia? A situação de Batman RIP é essa.

NOTA: 5,5

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