Apostando na psicodelia, sintetizadores e riffs empoeirados, estreia do Acrílico é outra prova da forte cena goiana

Banda goiana mergulha no dream pop no EP de estreia
NOTA7

Imagine um som que proporcione a sensação de devaneio, tão presente nos trabalhos do Beach House, e as guitarras lisérgicas e sujas características da banda Tame Impala. Bem, talvez essa não seja a melhor forma de definir a proposta da banda goiana Acrílico, contudo é a que mais se aproxima.

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Formada por Manoel Siqueira (voz e guitarra); Pedro Mendes (guitarrista); Guilherme Tai (baixo); Lucas Santana (bateria) e Renato Oliveira (sintetizador); a banda surgiu em meados de 2016 e vem do mesmo reduto musical de nomes já conhecidos, como Carne Doce e Boogarins. Entretanto, Acrílico está longe de querer seguir os mesmos percursos sonoros já produzidos pelos conterrâneos. Ainda que o psicodélico esteja presente em suas canções, gênero muito bem explorado por Boogarins, em Limbo, primeiro EP e registro de inéditas da banda, os goianos mergulham nas águas letárgicas do dream pop.

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Nas camadas sonoras delirantes de sintetizadores e riffs empoeirados, “Pó”, primeira faixa do registro, vai aos poucos mostrando os detalhes tão bem lapidados na mistura dos dois gêneros que marcam o EP. Nos primeiros segundos, a banda entrega um som arrastado, oriundo de um sonho surrealista e de vocais ecoantes para, logo em seguida, abrir espaço para guitarras sujas e ruidosas, criando bases para uma composição caleidoscópica.

Batidas cadenciadas, vocais adornados de filtros e sufocados pelos arranjos, guitarras que por oras deslizam pelas canções e em outras se tornam ruidosas são alguns dos pontos costurados pela banda a fim de dar forma a uma tapeçaria de canções lívidas. E é nessa costura que os goianos vão lentamente permitindo ao ouvinte a embarcar nas dores e fragilidades presentes nas faixas.

Claramente inspirados pelo Beach House, com pequenas doses do que já foi experimentado pelo Tame Impala em Lonerism (2012), Acrílico descreve de forma introspectiva sentimentos como a solidão, o desânimo e ainda questionam sobre as imposições sociais. Descrições que são os alicerces poéticos de Limbo, EP que expõem as incertezas e os medos de outrora dos integrantes, tão bem emolduradas nesse registro de estreia.

ACRÍLICO
Limbo EP
[Casa da Árvore Records, 2019]
Produção: Braz Torrez Neme
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