RÁPIDO, RASO E URGENTE
Uma Paris caótica e roteiro de Luc Besson é o que oferece B-13, longa que sai direto para público cativo em DVD
Por André Azenha

B-13 – ULTIMATO
Patrick Alessandrin
[Banlieue 13 – Ultimatum, França, 2009]

Em 2004 um filme francês, escrito e produzido por Luc Besson (“Nikita”) virou hit em home vídeo no Brasil, ao misturar estética futurista, ritmo de videoclipe, cenas de lutas bem coreografas de darem inveja à Jackie Chan, e ação à lá trilogia Bourne – inclusive utilizando técnicas do pakour, que mistura esporte radical urbano com filosofia de vida e arte marcial, bastante utilizado na franquia protagonizada por Matt Damon.

A trama de B13 – 13º Distrito mostra uma Paris completamente diferente daquela que costumamos ver no cinema. Caótica, durante o ano 2010, a “cidade luz” está mergulhada em caos, e o governo precisou isolar os bairros/distritos mais perigosos. Entre eles, aquele que dá titulo ao longa. O jovem punk Leito (David Belle) e o detetive Damien (Cyril Raffaelli) se unem para tentar acabar com o chefão do crime, que mantém a irmã do primeiro como refém e ameaça destruir o município com um míssil.

Apesar das situações inverossímeis, e da ação frenética, que incomoda um pouco, o filme encontrou seu nicho de mercado em pessoas que nos anos 80 tinham a chance de conferir longas de ação com freqüência no cinema, e que agora acham produções do tipo nas locadoras. Não à toa, “B13” alcançou uma das maiores vendagens para distribuição nacional em DVD.

Após o êxito, obviamente surgiu a continuação. E B13 – Ultimato, lançado diretamente em home vídeo por aqui, também escrito e produzido por Besson, manteve os personagens principais e trocou apenas de diretor em relação ao primeiro. E eleva a doses maiores os elementos que garantiram o sucesso de seu antecessor.

A história se passa dois anos após os eventos do original. Leito e Damien precisam se juntar novamente para acabar com uma conspiração encabeçada por uma polícia de elite, que arma para Damien (ele vai preso por ser honesto e poder melar as intenções dos colegas corruptos, e chama o amigo para libertá-lo) e visa “limpar” Paris, ganhar o apoio do presidente para depois tomar o poder do país.

Quem prefere filmes com tramas desenvolvidas e personagens elaborados vai detestar. O longa é pauleira do início ao fim e lembra um videoclipe do Limp Bizkit.

FJá os fãs de ação irão vibrar com as cenas de luta (Cyril Raffaelli pode ser considerado o Jackie Chan francês, só que tem cara e corpo de bailarino) e perseguição por Paris (principalmente aquela em que David Belle, um dos fundadores do pakour, pula de prédio em prédio ao fugir da polícia) que mais lembra uma nova cidade onde a Torre Eiffel é cercada por uma mistura do Rio de Janeiro com Nova York.

Tal qual a cidade brasileira, a Paris de “B13” tem policiais vestidos de preto que entram na favela para exterminar os bandidos, no melhor jeitão “Tropa de Elite”; e assim como na megalópole americana, tem periferia dividida em guetos, com caras bolados cheios de penduricalhos, correntões e gírias, tudo ao som de batidão forte.

A maneira como Paris (no mesmo ano em que ela teve a Torre Eiffel destruída em “G. I. Joe – A Origem de Cobra”) é mostrada na obra, inclusive, deve ter levado o atual presidente da França, Nicolas Sarkozy (de idéias fascistas), ao orgasmo, já que todos os tipos de minoria (negros, asiáticos, árabes, etc) foram relegados à periferia, nos distritos “proibidos” e a “nata” francesa vive no centro.

Essa forma de encarar o futuro serve também como crítica e alerta à intolerância. É o que pode acontecer se deixarmos pessoas que tenham atitudes e pensamentos como o marido de Carla Bruni colocarem suas intenções em prática.

Por esse ponto de vista, B13 – Ultimato pode até agradar se o espectador superar as forçadas de barra – difícil crer num presidente “bonzinho” – e os maneirismos da produção. E serve para provar que o cinema francês não é feito apenas por fitas “de arte” demoradas.

NOTA: 5,0

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=PA3u9NLEwEo[/youtube]

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