AUTHORITY – TERRA INFERNAL
Mark Millar (texto), Chris Weston e Frank Quitely (arte)
[Pixel Media, 100 págs, R$9,90]

Reprodução

Ninguém fará um gibi de super-heróis com a mesma grandiosidade do Authority. Nem a cria direta deles, Os Supremos (Marvel), idealizado por um dos escritores, Mark Millar. Authority é um super-grupo incrivelmente poderoso, que tem a missão de resolver questões de alcance global. A diferença dele para os demais é a superioridade com que eles tratam o resto da humanidade. Que importa se 25 mil pessoas morreram se para isso, mais de 5 milhões sobreviveram? A série foi motivo de polêmica desde que surgiu, pois aparentemente é mais um título violento de super-heróis, mas no fundo esconde uma série de críticas contra a política norte-americana, religião e direitos internacionais. Não demorou para que isso ficasse notório e a  HQ alcançasse sucesso editorial. O relacionamento homossexual entre Apolo e Meia-Noite (uma clara paródia a Batman e Robin) também causou furor. A série reflete as mudanças ocorridas nesta virada de século e mostra temas atuais, como terrorismo, de uma maneira corajosa, em se tratando de um gibi mainstream e fabricada pela DC Comics. Este Terra Infernal é o terceiro volume da série (os outros dois, mais o especial Jenny Sparks foram lançados pela Devir) e mostra a repercussão dos acontecimentos das histórias anteriores. Nesta edição, uma série de catástrofes climáticas preocupa o mundo, e o Authority investiga o caso. O mistério é saber se o episódio tem a ver com a morte de Deus, ocorrido nos volumes passados.

Politicamente incorretos, demora um pouco para o leitor se acostumar com as atitudes dos “heróis”. A cena em que Meia-Noite tortura o vilão na cadeia, ou quando o Doutor é internado por uma overdose de heroína, não são coisas que vemos todos os dias em histórias de super-grupos. A crítica que Mark Millar, um dos principais nomes dos quadrinhos americanos faz da política bushiana de xerifes do mundo é afiada. Por isso é preciso uma dose de referência e discernimento para não sair acusando os criadores de machistas, preconceituosos ou antidemocratas.Reprodução

A edição da Pixel é bem cuidada, com qualidade de impressão acima da média, textos explicativos e um bom preço. E fica a glória ao popularizar a série lançando este e os próximos volumes em bancas. Poderia apenas creditar os desenhistas em cada história – consta apenas uma lista nas páginas iniciais.

Esta, porém, não é a melhor história do Authority, já que se trata de um arco de transição. Não vemos uma abordagem tão intensa de personagens ricos como Engenheira e Meia-Noite, mas ainda assim é uma série espetacular, e agora, com um merecido tratamento editorial no Brasil.
[Paulo Floro]

NOTA: 7,5

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