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AU REVOIR SIMONE
The Bird Of Music
[Our Secret Record Company, 2007]

A própria capa do disco já demonstra uma atmosfera meio campestre de paz e tranqüilidade. O sol batendo nos cabelos das três moças da foto dá aquele ar de fim de tarde de um dia bom, um gosto de juventude e um clima de sonho. Assim soa The Bird Of Music, segundo trabalho do Au Revoir Simone, trio formado no Brooklyn, Nova York, por três amigas: Erika Forster, Annie Hart (ambas nos vocais e teclados) e Heather D’Angelo (vocal, teclado e bateria eletrônica). Guitarras e baixos ficam de fora na música dessas garotas, cujas influências musicais são Stereolab, Lali Puna e Broadcast.

A estréia do Au Revoir Simone no mercado foi tímida, com o álbum Verses of Comfort, Assurance & Salvation (2006). Entretanto, a notoriedade foi chegando. Elas fizeram parte da coletânea Fear of Music, lançada pela V2 Records, álbum que continha as “promessas da música” de 2006, além da canção “Through The Backyards” ser incluída na trilha sonora do seriado Grey’s Anatomy. Mas o maior trunfo das moças do Au Revoir Simone é o título de “queridinhas de David Lynch”. A convite do próprio diretor americano, elas tocaram na noite de autógrafos de seu livro, Big Fish: Meditation, Consciousness and Creativity. Segundo Lynch, a música do Au Revoir Simone é “inocente, descolada e original”.

“The Bird Of Music” é exatamente como o diretor descreve: delicada, intimista e hipnótica, além de ser um álbum coeso que carregar semelhanças com o trabalho de bandas como The Postal Service e The Radio Dept. A primeira faixa do disco, “The Lucky One” começa melancólica, mas a letra otimista dá um frescor à canção. O refrão evoca a frase “so let the sun shine/ let it come” como um mantra, criando um clima leve e etéreo, típico do dream pop. “Sad Song”, música seguinte, é uma balada eletrônica que carrega um jeito dance com vocal baixo. Destaque para as faixas “Dark Halls”, “Night Majestic” e “Stars” que também carregam a veia do pop eletrônico.

Já “Fallen Snow”, com sua beleza pura e inocente, lembra uma canção fofa dos escoceses do Belle & Sebastian e contrasta com a música seguinte, “I Couldn’t Sleep”, que soa soturna e parece carregar como base o som grave de um órgão. “A Violent Yet Flammable World” tem um clima onírico e “Don’t See The Sorrow” parece uma continuação de “The Lucky One”, a primeira faixa. “Lark” apresenta uma batida ritmada que sustenta os vocais abafados e quentes das três cantoras. A letra da última canção, “The Way To There”, reflete o espírito natural da música do Au Revoir Simone, uma vez que fala de neve, frio, ar, vento e noite, e também revela a leveza e delicadeza do álbum como um todo. [Mariana Mandelli]

NOTA: 7,5

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