Sem se assumir chiclete, Nelly engana a si e aos fãs

LAS CHICAS DE VOLTA DA ESTRADA
As divas transformaram seus CDs em DVDs e agora lançam suas perfomances nas últimas turnês. Uma briga pela boa performance
Por Fernando de Albuquerque

Nos últimos 10 anos, uma trupe de mulheres gostosas tomaram conta do mundo da música pop. E não teve para seu ninguém. A vanguardista foi Madonna e depois dela uma série de seguidoras que, fingindo ser amigas, brigam por um lugar ao sol. E para acumular fortuna e boa dose de fama não vale mais o velho e bom CD. Tem que ser multimídia. CD, DVD, Vinil, em MP3, pronta pro iTunes, e mais uma série de inovações da parafernália internética.

Cinco dessas “divas” lançaram CDs, fizeram shows e agora os levam pra telinha, requentando sua própria performance. Christina Aguilera ataca de Back to Basics: Live and Down Under; Beyoncé vai de The Beyoncé Experience; a latiníssima Shakira se converteu ao cristianismo com Oral Fixation Tour; Nelly Furtado com Loose: The Concert; e a peituda Mariah Carey com The Adventures of Mimi. Tudo pré-fabricado para grudar no ouvido sem dó nem piedade.

E nesse entremeio, até mesmo os mais empolgados acham difícil avaliar esses novos trabalhos. Todos apresentam enorme similaridade, sendo quase um pastiche de si mesmo. Aguilera, por exemplo, se joga nos recursos cênicos atraindo a platéia pelo olhar e abusando dos tímpanos alheios. São solos intermináveis, cansativos e agudos que, dependendo da altura, podem acabar com a caixa de som de qualquer boy mais empenhado. E entre uma jorrada de gelo seco e outra o show mais fede a mofo do que a qualquer coisa. Madonna já tinha cantado essa ladainha da performance há 15 anos atrás.

Já Beyoncé é hiperativa. De fato tem problemas em ficar quieta. Ou então toma bala na veia pra poder se portar como se porta no palco. Ela recebe a pomba-gira do chéco-chéco, mas é tudo calculado. Soa imprevisivelmente fake já que até as falhas parecem ensaiadas. Cantando “Flaws and All”, a bunitáh derrama duas lágrimas pelo canto esquerdo do rosto e merece o Framboesa de Ouro de pior atriz.

Shakira (Foto: Divulgação)
A musa do requebrado é, de longe, a mais “preparada” das moças

Já Furtado, como o próprio nome, furta a animação da platéia. Ela está numa fase pianinho e parece ter reunido uma série de músicas lentas com letras vazias em um único bloco de apresentação. Sem se assumir chiclete, Nelly engana a si mesmo e aos fãs. Dá pra notar o cansaço do público que, se tivesse um controle remoto com a tecla foward em mãos….utilizaria sem dó nem piedade. Alguém avise que todo mundo quer dançar.

Numa linha comparativa Shakira faz, de longe, o melhor dos trabalhos. Ela tem consciência das próprias limitações e não perde tempo com gritos e danças muito mirabolantes. Se bem que é difícil encontrar alguém que requebre feito ela. E a bonança de sua performance começou quando ela abandonou sua própria latinidade (na época em que ainda cantava em um potunhol de péssima qualidade) e assumiu a colonização americana. Os patrícios colombianos é que, até hoje, não gostaram muito.

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