MARQUEI UM X
Por uma década, milhões de pessoas no mundo inteiro acompanharam um dos seriados mais importantes dos anos 90, que não só inovou em temática como trouxe experiências narrativas para a TV
Por Lidianne Andrade

Por nove anos, milhares de telespectadores remexeram-se na cadeira ao som de “The Truth and The Light”, com composição de Mark Snow, música tema do seriado Arquivo X (The X Files), com direção de Cris Carter, exibido pelo canal pago FOX. No Brasil, foi exibido pela Rede Record quase na íntegra. De 1993 a 2002, foram produzidos 197 episódios tendo como personagens principais os agentes federais Danna Scully (Gillian Anderson) e Fox Mulder (David Duchoviny).

Precursor de uma gama de séries com a temática remetida à ufologia e paranormalidade, tais como Taken de Steven Spilberg, Millenniun, Alias, Lost, Supernatural, The 4400, CSI, Buffy e Angel, Arquivo X foi uma das séries mais bem sucedidas dos anos 90, tendo nos seus primeiros anos um público médio de 9,3 milhões de telespectadores. Por quase uma década, fãs do mundo todo acompanharam a trajetória de Fox e Dana em busca de provar a existência de óvnis. “A verdade está lá fora”, dizia o lema da série na abertura e o cartaz da parede do escritório de Mulder. Com a supervisão do diretor-assistente Skinner, os agentes viajaram o país inteiro resolvendo casos aparentemente insolucionáveis, enfrentando desde cogumelos gigantes até naves espaciais enterradas, sempre lidando com loucos ou visionários de uma população de alienígenas vivendo no meio dos terrenos.

A perfeita construção do roteiro de Cris Carter não deixava dúvidas da veracidade de uma infiltração alienígena na população com consentimento e talvez parceria do governo. O programa fez sucesso logo no primeiro ano e os capítulos ficaram mais ousados, com tramas engrenadas e surgimento de personagens como O Canceroso, representante de Washington e o cara que detém a cura contra um suposto vírus a ser infiltrado para dizimar a humanidade. A importância da série para a TV americana veio com as experiências estéticas a cada temporada, tanto no roteiro e narrativa quanto na direção.

Designados por Skinner para trabalharem juntos, cada um levava consigo seu motivo para estar no FBI. Fox queria encontrar a irmã Samantha (que viu ser abduzida quando criança) e provar a existência de extra-terrestres vivendo passivamente à espera do momento certo para acabar com a população mundial. Scully, médica, acreditou que ajudaria a resolver casos complexos com seus conhecimentos. Ele puro instinto e ela sensata, o patrão viu na combinação nada mais perfeito para um equilíbrio. Um representava neurose, sempre baseado no lema “não acredite em ninguém”, outro era ceticismo com parcimônia. O público concordou com o par.

Esticando os arquivos
O que durou nove anos não deveria ter passado de seis, segundo os estúdios da FOX, que tentou várias vezes cancelar a produção. Por pressão dos fãs com cartas e abaixo-assinados, continuaram as gravações, já não tão lucrativas assim. No meio do caminho surgiu o primeiro longa, produzido e escrito por Carter e co-escrito por Spotnitz, sucesso de bilheteria com arrecadação de US$ 187 milhões, mas fracasso de crítica por ser um filme compreendido apenas para os acompanhantes da série.

Mesmo com dinheiro no bolso, o peso de fazer um personagem por longos anos cansou o casal protagonista. David Duchoviny foi o primeiro a “encher o saco” e partir para novas aventuras cinematográficas, largando o papel na sexta temporada. Novos personagens foram recrutados ao elenco, como os agentes John Dogget (Robert Patrick) e Monica Reys (Annabeth Gish). Dois anos depois, após resolver desentendimentos com o estúdio (e uma engorda no cachê) Duchovny voltou. Mas se o próprio já não aguentava mais Fox Mulder, produtores e público também estavam cansados e resolveram encerrar a série. Comentários dos bastidores dizem que os dois atores tentaram de tudo para não cansar de seus personagens, e para tal, não se falavam fora dos estúdios. “Passamos tanto tempo juntos que preferimos manter distância para não enjoarmos um do outro”, declarou em entrevista Gillian Anderson há seis anos atrás.

Voltar a interpretar os personagens depois de cinco anos não foi tão fácil como parecia. A dupla encontrou dificuldades nas gravações do novo longa, Arquivo X – Eu quero acreditar. Os personagens envelheceram assim como seus protagonistas, não sendo mais tão fácil correr durante à madrugada inteira em busca dos serezinhos de outro mundo. Retomar uma caracterização depois de tanto tempo também não foi fácil. “Durante os primeiros dois dias realmente eu fui uma droga. Acho que parte disto é devido a eu ter passado tanto tempo tentando não fazer nada que nem mesmo remotamente lembrasse Scully. Eu tenho me empurrado para longe por tanto tempo que quando eu voltei, meu cérebro estava dizendo, ‘Não, não é para isto estar acontecendo’”, comenta Gillian Andeson em coletiva para lançamento do novo filme. Para David, as coisas não foram muito diferentes. “As primeiras duas semanas de trabalho foram meio esquisitas, mas eu estava me divertindo. Só depois comecei a trabalhar com Gillian e éramos Mulder e Scully de novo – e me lembrei de como aquela relação entre nós ancorou meu trabalho em todo o filme, assim como a relação deles ancora a história,” conta o ator.

Cansaço ou não, a série durou o tempo suficiente para ser inesquecível. Foram 15 Emmy Awards conquistados, incluindo de melhor atriz para Gillian Anderson. Os lucros não param de aumentar. Os boxes com toda a série vendem muito bem até hoje. Em sites de vendas on-line, já está disponível uma nova caixa, Arquivo X – Essencial, com episódios escolhidos por Cris Carter considerados chaves para entender o novo longa. São eles: “Piloto” (Temporada 1), “Beyond the Sea” (Temporada 1), · “The Host” (Temporada 2), “Clyde Bruckmans Final Repose” (Temporada 3), “Memento Mori” (Temporada 4), “Post-Modern Prometheus” (Temporada 5), · “Bad Blood” (Temporada 5) e “Milagro” (Temporada 6). Ótimo para quem ainda não cansou dos agentes mais famosos da TV.

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