ARCTIC MONKEYS
Whatever People Say I Am, That´s What I´m Not
[RoughTrade, 2006]

Desespero. Talvez seja isso que acomete crítica e consumidores em geral de música pop, ao eleger, no início do ano, uma nova revolução, um novo cânone da música, a nova maravilha do rock, que foi o que fizeram com o Artic Monkeys. É muito simples, até como exercício de mau humor, discordar da hegemônica crítica mundial que transformou o Artic Monkeys no maior fenômeno de mídia até agora. No entanto, mais fácil ainda é adicionar mais adjetivos à já tão inflada banda inglesa. Não que eu vá tirar méritos de rapazes de 19, 20 anos que conseguiram causar comoção em meio mundo, com um rock simples e dançante. Longe disso. A comoção pelo Artic Monkeys é sobretudo plástica, com um detalhe que eles são um hype inglês (outro elemento muito importante para culto) e que tocam rock feito pra pista de dança. O disco começa empolgante, com um vocal emprestado de um já velho e distante Pete Doherty com “The View From Afternoon”, preparando o terreno para o absurdo hit de I Bet You Look Good On The Dance Floor, cuja letra foi vendida como uma genialidade, mas é besta que só. O disco possuí muitos momentos ótimos (memoráveis), que vai do cinismo indie ao marasmo pós-clube. Mas é um álbum essencialmente pra dançar. Hype puro. Numa noite chapada, coloque o cd inteiro pra tocar e vai parecer uma única faixa. Mas vai ser divertido, no entanto. A verdade é que Whatever… é mediano, no máximo divertido, mas nem de longe surpreendente. Seus acordes, referências pop, letras, já foram por demais reprocessadas. É como se pegássemos o Kaiser Chiefs e elevássemos à uma perfeição do pop. Talvez seja essa a tendência da música nessa primeira década do século, fundamentar um conteúdo sobre um fenômeno. [Paulo Floro]

NOTA:: 7,5

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