Arctic Monkeys (Foto: Divulgação)

ELETRIZANDO AINDA MAIS A VIDA
Arctic Monkeys supera a maldição do hype e a famosa praga do segundo CD em “Favourite Worst Nightmare”
Por Mariana Mandelli

ARCTIC MONKEYS
Favourite Worst Nightmare

[Domino, 2007]

favourite-worst-nightmare.jpg Abram caminho, pois o Arctic Monkeys quer passar e tem muita pressa para conquistar o mundo. O ritmo acelerado e quase agressivo do indie rock criado pelo grupo de Sheffield, Inglaterra, está de volta no álbum Favourite Worst Nightmare. O quarteto britânico, formado em 2003, apesar da pouca idade já tem muita história para contar. A banda sacudiu o mundo da música com o estrondoso sucesso de suas canções e se tornou um fenômeno de troca e compartilhamento de arquivos no mundo virtual, além de ganhar notoriedade em sites como MySpace.

Whatever People Say I Am, That´s What I´m Not, primeiro lançamento do grupo depois de vários EPs e singles, veio no início de 2006 com influências de The Jam, The Clash e de toda a cena atual do indie rock – Strokes, Franz Ferdinand, Futureheads e os finados Libertines. O hype em cima do álbum foi absurdo, o que transformou a banda num dos maiores fenômenos do pop desde os Strokes em 2001. Com recordes de discos vendidos na estréia, a banda já em sua estréia carregava todas as pressões possíveis para um segundo disco, com o mesmo sucesso e a mesma audácia adolescente.

O que acontece no segundo trabalho do Arctic Monkeys supera as expectativas de todo o hype que existe em torno da banda. Favourite Worst Nightmare é criativo e frenético, como o primeiro. Musicalmente, a evolução da banda é nítida: as faixas são menos repetitivas do que as do primeiro CD – soam menos homogêneas e menos redundantes – e as letras estão cada vez melhores. A banda também não carrega a dose de inocência de garotos que ganharam guitarras de presente no natal. O álbum vem com uma certa pretensão comercial e até arrogância – haja vista o próprio título, que exprime a idéia de que a banda é um pesadelo terrível para uns, mas não deixa de ser a favorita do universo alternativo, e, assim, despertando o ódio, a inveja, o fanatismo e paixão alheia.

A banda tem seus méritos. As sacadas de guitarra, os riffs pegajosos e a bateria acentuada dão um ar de identidade para a música do Arctic Monkeys. Favourite Worst Nightmare não é uma obra-prima, não salva o rock e não é revolucionário. Pode não ser aquele álbum arrebatador e essencial que vai mudar sua vida, mas é delicioso de ouvir. É música para curtir e divertir. E também para ser levada a sério – afinal, o grupo quer mostrar a que veio.

Agora, com dois discos comercialmente sólidos, reconhecidos pelo público e por grande parte da crítica especializada, resta ao Arctic Monkeys escolher quais caminhos tomar de agora para frente. Se o sucesso vai ser efêmero, só depende dos rumos que esse conto de fadas do indie rock vai tomar. É esperar para ver. Well see you later, innovator!

Arctic Monkeys (Ao Vivo)

 Adolescentes agradecidos, confortáveis e fluorescentes

“Brianstorm” é uma aceleradíssima música que começa o CD parecendo que vai explodir a caixa de som a qualquer momento. Em meio ao ritmo frenético, Alex Turner já anuncia a que veio: “We’re grateful and so strangely comforted” (algo como “nós estamos agradecidos e tão estranhamente confortáveis”), parecendo agradecer a todos o reconhecimento e barulho que se faz em torno da sua banda. “Teddy Picker” é genial, uma das melhores do disco. Seu refrão grudento e seu riff simples e eficiente ficam na cabeça por dias. Já “D Is For Dangerous” é cantada em parceria: Turner e o baterista Matt Helders dividem os vocais. Na letra, um verso traz o título do álbum: “I think you should know you’re his favourite worst nightmare” (“eu acho que você deveria saber que você é o seu pesadelo favorito dele”). “Balaclava” tem um riff grudento que se aproveita das “paradinhas estratégicas”, uma das marcas do som do Arctic Monkeys. “Fluorescent Adolescent” é uma das músicas do ano por seu pop saudosista delicioso – a letra deixa transparecer que a maturidade dos integrantes vem chegando e a adolescência vai ficando para trás: “Remember when the boys were all electric?” (“Você se lembra de quando os garotos eram todos elétricos?”). “Only Ones Who Know” é uma baladinha romântica, que tenta mostrar que o Arctic Monkeys não serve só para fazer barulho.

“Do Me A Favour” tem guitarras tristes que são mais do que a prova de que a banda tem forte influência do estilo do Strokes. Ela fica melhor ainda no final, com uma bateria destruidora que deixa qualquer um surdo. “This House Is a Circus”, “If You Were There, Beware” e “Old Yellow Bricks” são ótimas canções, marcantes e viciantes. Já “The Bad Thing” é excelente: a bateria frenética e os versos rápidos e ágeis de Turner dão um jeitão Libertines para a faixa. E, para encerrar, “505” é romantiquinha e tem um ritmo ameno (pelo menos nos dois primeiros minutos e meio) para contar uma melancólica história de despedida de um casal, fechando de maneira triunfante um álbum alucinado, divertido e que faz o Arctic Monkeys ser aprovado no teste do segundo disco. Definitivamente.

NOTA: 8,5

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