Arcade Fire canta um mundo que deixa de existir em The Suburbs

Por Paulo Floro
Editor da Revista O Grito!

Os canadenses Arcade Fire são conhecidos por fazer discos conceituais. Neste terceiro álbum lançado mês passado, The Suburbs, o grupo fala de um mundo que desaparece à medida em que a vida se torna cada vez mais apressada. Analisar as letras do disco é uma das maneiras de entender o sucesso e a relevância da banda no pop mundial hoje.

“Eu costumava escrever cartas / costumava assinar meu nome”, diz Win Butler em “We Used To Wait”, primeiro hit deste novo trabalho, que denuncia mais à frente: “agora nossas vidas estão mudando rapidamente”. Num contexto em que as pessoas tem nicknames e vivem num mundo fragmentado, apressado, o Arcade Fire tem interesse em falar de coisas que se perdem nessas mudanças contemporâneas, de consumismo desenfreado.

» A experiência interativa do novo clipe do Arcade Fire

Não se trata de conservadorismo, nem nostalgia. The Suburbs expõe que os subúrbios irão embora de vez. A cada faixa, fica presente cenas lúdicas que remetem a um passado onde tudo parecia correr num tempo diferente. São cenas de tribos urbanas descendo a rua, casais esperando o tempo passar.

Escritores e roteiristas já se saíram muito bem falando sobre a vizinhança, o pequeno universo do bairro, para então, conseguirem um alcance mais universal. O Arcade Fire quis fugir da metrópole justamente quando a banda alcança, enfim, renome global. E falou de bairros como uma idealização de um passado mais tranquilo, de quando as pessoas tinham tempo para perder/aproveitar uma com as outras.

Desde que surgiu com Funeral (2004), a banda faz discos com conceitos bem pensados. No primeiro trabalho foram fúnebres ao utilizar a morte de vários parentes do grupo como inspiração para as canções. Em Neon Bible (2007), Win Butler, principal compositor e líder, quis falar sobre religião e televisão.

Tudo que o Arcade Fire quer dizer em seus discos, todo o “lance conceitual”, nada atrapalha a simples experiência de curtir o som do grupo. Existe recompensa em se adentrar na cabeça desses canadenses.

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