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AQUALUNG
Memory Man
[Columbia, 2007]

Você dá o play. Os dez primeiros segundos são calmos, quando, de repente, uma guitarra pesada invade os tímpanos, para logo dar espaço a uma voz melancólica. Thom Yorke? Não, é o inglês Matt Hales, vulgo Aqualung. Onde é que foi parar o piano estilo Coldplay e Keane? É a pergunta que se faz após ouvir “Cinderella”, a primeira canção de Memory Man, o mais novo álbum de Hales, lançado oficialmente em março deste ano. Strange and Beautiful (2005), seu disco anterior, era repleto de composições românticas típicas do pop britânico. Um álbum caracterizado pela leveza, frescor. Mas que carrega claramente as influências do piano rock como seu carro-chefe. Essa tendência legítima para o pop foi sublimada (não completamente, é claro) em Memory Man, composto de onze canções um pouco energéticas, causando estranhamento em quem estava acostumado ao estilo à la Chris Martin. Mais eletrônico e mais pesado, sem perder um jeito folk presente na interpretação das faixas, o novo trabalho contém mais emoção.

O espaço de dois anos entre os trabalhos resultou num processo criativo, que incorporou novos instrumentos, criando texturas e arranjos diferenciados por meio da exploração de batidas eletrônicas – os exemplos são “Pressure Suit” (das melhores do disco), “Something to Believe In” e “Outside”. Já “Glimmer” é balada linda que carrega uma espécie de orquestração ao fundo, criando um clima tenso e ao mesmo tempo delicado. Há até espaço para contrastes. “Rolls So Deep” é um modelo de canção feliz e leve, contrariando o clima da faixa seguinte, “The Lake”, baseada num piano sombrio e atmosfera mórbida.

Como um todo, Memory Man mostra um Aqualung mais complexo, criativo e – por que não um tanto ambicioso. Mixando suas referências e influências num álbum bonito e gostoso e repleto de sentimento. [Mariana Mandelli]

NOTA: 7,5

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