O blog With Lasers do jornalista Paulo Terron é fonte quente na internet, sobretudo para duas das bandas brasileiras mais comentadas nos últimos anos: CSS e Bonde do Rolê. Ex-repórter da BIZZ, ele conseguiu credibilidade como um dos mais relevantes blogueiros de cultura pop no país.

Terron virá ao Recife amanhã para participar do ciclo de palestras do festival Abril Pro Rock 2008, onde discute mídia independente e a maneira como os blogs e sites ocupam lugar dos veículos tradicionais. O Grito! bateu um papo rápido antes de sua chegada ao Recife.

Quais suas primeiras experiências com blogs?
Eu me lembro de estar trabalhando no iG, no começo dos anos 2000, e começar a ouvir um papo sobre algo chamado “blog”. Não demorou muito e o iG lançou o BliG, a versão do portal para essa ferramenta. Nessa mesma época eu cheguei a ter um ou dois blogs pessoais, mas nada muito importante. Comecei a me dedicar ao blog de jornalismo só com o With Lasers mesmo, que nasceu quando eu ainda trabalhava na finada Bizz.

O With Lasers – antes escrito por um trio – surgiu quando? Esperava esse reconhecimento num espaço curto de tempo?
Na verdade o With Lasers começou com um quarteto! Éramos eu, o Ronaldo Evangelista (que faz o podcast Qualquer Coisa comigo), o Artur Louback (editor da revista Mundo Estranho, na editora Abril) e a Carina Martins (hoje no UOL). O primeiro post do blog foi em 13 de março de 2007, e dizia assim: “Olá! Dia 13, um belo dia para começar um plano de dominação global.” Então não dá para negar que esperávamos algum reconhecimento!

Se discute que blogs e sites estão ocupando espaços que antes pertenciam aos veículos tradicionais. No entanto, no Brasil, muitos blogueiros famosos ou renomados trabalham ou vieram da grande imprensa, como jornais e revistas de alcance nacional. O que acha disso?
Acho que é só porque as pessoas daqui ainda não se ligaram que qualquer um pode escrever sobre qualquer coisa. Então o blog acabou virando “aquele lugar onde o editor não corta o seu texto e não veta nada”. Mas eu já vejo alguns blogs interessantes de não-jornalistas aparecendo.

Muitas vezes, os blogs pautam os jornais impressos, sobretudo nos assuntos musicais. Você acha que essa mídia independente exerce alguma influência sobre os outros meios? Para ficar claro para os leitores que “influência” seria essa, podemos usar como parâmetro os blogs americanos como o Stereogum, Gawker, entre outros.
Claro. Muitas vezes escuto uma notícia na MTV e sei exatamente de qual blog eles pegaram. Eu só acho curioso as pessoas que apareceram na internet quererem migrar para outros meios. Como o Perez Hilton tentou, por exemplo, ao fazer um programa de TV. Parece que a internet ainda tem aquele ranço de “não é tão bom assim”. Só precisamos sempre lembrar que a mídia tradicional ainda é – e será por muitos anos – muito maior. A diferença é que uma pessoa qualquer pode digitar “cansei de ser sexy” no Google e cair no meu blog – mas ele dificilmente vai ligar a TV na Globo com a esperança de ver a Lovefoxxx no Faustão.

Você participou da última experiência impressa de uma revista especializada em música no país, a BIZZ. Acredita que ainda teremos uma publicação sobre música por aqui, ou a cobertura feita na internet já se consolidou entre os leitores?
Respondo com outra pergunta: quem precisa de uma revista de música? Se muito gente precisasse, a BIZZ não teria acabado. O mercado editorial não anda bem das pernas no Brasil, não dá para negar. Eu sinto falta de textos mais elaborados, longos, profundos… Só que não sou um leitor padrão, né?

No Brasil ainda muito o que explorar na internet? Quais iniciativas recentes (blogs, sites, etc) que você destaca?
Acho que ainda estamos começando. Mesmo porque tudo aqui é mais difícil: uma conexão decente é cara e, ainda assim, instável. Ou seja, é mais difícil explorar vídeo – você sabe que menos gente vai ver. Tem o YouTube, claro, mas quem curte uma qualidade de imagem não encontra lá. Eu gosto do que o Trama Virtual faz. Acho que eles amarram muito bem TV e internet – com o potencial de ser tão legal quanto a TV do Pitchfork. Eu mesmo já me aventurei em um novo meio: o videocast. Vai ser hospedado no Colmeia.tv e deve estrear logo mais. Ele se chama A Hora da Verdade. Somos eu, a escritora Clarah Averbuck e o blogueiro Daniel Poeira. Ou seja, tenho blog, podcast, videocast, subo vídeos no YouTube, áudio no GoEar, fotos no Flickr. Já está bom, né?

SERVIÇO
Ciclo de Palestras Abril Pro Rock 2008
Mídia Independente
Paulo Terron (With Lasers) e Bruno Maia (Sobremúsica)
Sexta-feira, às 15h30 Paço Alfândega, Livraria Cultura

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