Apparat plays guitar

apparat.jpg

APPARAT
Walls
[Shitkatapult, 2007]

apparat-walls.jpgHá de se considerar que adjetivos como sentimental, inteligente, sensual e experimental nem sempre combinam muito bem. Não para Apparat. Seu novo disco, Walls, é uma boa prova disso. Sascha Ring aka Apparat passa por caminhos tão diversos e ao mesmo tempo cria um disco coeso com batidas, violinos, sintetizadores, violoncelos e vocais.

O DJ e produtor alemão em álbuns anteriores, Duplex (2004) e Multifunktionsebene (2001), tinha como base batidas de ambient music e agora parece se dividir um pouco entre a era digital, da música eletrônica sintética para a era analógica, onde instrumentos como cordas e vocais também são bem-vindos. Essa virada não acontece apenas em seu último disco, mas também na forma de se apresentar. No dia 25 do mês passado, Apparat abriu o Festival Motomix em São Paulo acompanhado de uma banda, um episódio inédito na carreira do DJ. Um de seus parceiros de palco, o cantor dinamarquês, Raz Ohara faz boas participações em Walls em faixas dignas de hits, como Holdon e Headup, num estilo mais grave, mas gostoso de se ouvir à la Peter, Björn e John.

A nova empreitada de Apparat parece ser boa, mas ele afirma que não vai deixar de “fazer a rave”. Apparat é um artista interessante por isso, ao entrar no estúdio parece incorporar o produtor, o músico, querendo colocar para fora suas aspirações sentimentais, seus anseios. Já quando está por trás das pick ups sua atitude é de quem comanda a festa, sempre influenciado pelo electro, techno, idm e minimal. Muito pouco de seus discos é ouvido em seus live sets, e justamente por achar que Walls deveria ser tocado ao vivo, ele decidiu se apresentar com uma banda. Mas nem sempre suas composições ficaram apenas nos álbuns. Orchestra of Bubbles (2006) produzido juntamente com Ellen Allien, mostra um Apparat bem mais dançante, com cara da pista de dança, talvez por influência da companheira. Vale salientar Allien como uma das mais importante de suas parcerias, não apenas por Orchestra, mas por sua participação em seu cd solo, Berlinette, lançado em 2003 e que fez um tremendo sucesso no circuito eletrônico mundial, alavancando a carreira da então desconhecida dj alemã.

Além de Allien, Apparat já remixou nomes importantes atualmente como Swayzak, James Holden e Nathan Fake. Apparat vem se mostrando ao longo de sua carreira não apenas um DJ que produz, mas um produtor com novas ambições para a sua música e com boas colaborações para o cenário eletrônico. Seu momento atual transparece essa vontade pelo som quando se diz “more interested is designing sounds than beats” que quer dizer, “mais interessando em desenhar sons do que batidas”. Logicamente sem deixar de lado a boa e velha dance music. [Hiran Hervé]

NOTA: 8,5

Sem mais artigos