Antony Foto: Jason Rothenberg

TRÁGICO E ELEGANTE
Por Breno Soares

Antony Hegarty é uma figura andrógina, com um olhar melancólico e uma voz poderosa que consegue partir um coração sem muito esforço, que surpreende a cada trabalho e declaração. Com um novo disco no forno, quase ao ponto de ser lançado, Antony and The Johnons vêm se apresentar no Brasil em shows no Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba no TIM Festival.

Nascido em 1971 na cidade de Chichester em West Sussex, Inglaterra, viveu sua adolescência em San Jose na Califórnia, onde se apaixonou pelo Synth Pop britânico, especialmente Marc Almond e Boy George, com quem viria a gravar anos depois. Em Manhattan para onde se mudou com o intuito de terminar o curso de Teatro Experimental na Universidade de Nova York assistiu o documentário Mondo New York sobre porformers e a cena cabaret da cidade. Essa efervescente cena gay foi importante para a formação artística dos discos de Antony. Lá formou um coletivo de performances chamado Blacklips Performance Cult e teve como parceira a música e artista performática Johanna Constantine além de outras figuras como punks, drag queens e travestis. As primeiras apresentações aconteceram num bar chamado Pyramid Club. O coletivo ficou junto até o ano de 1996, quando começou a se apresentar sobre o nome de Antony and The Jonhsons. O primeiro disco homônimo de 2000 conserva ainda em matéria bruta o espírito underground de seu passado em clubes e inferninhos. A demo foi ouvida pelo músico experimental David Tibet, que articulou o lançamento pelo selo Dutro.

Antony começou a chamar a atenção de pessoas que outrora foram seus ídolos. Convidado por Lou Reed para regravar um de seus clássico, “Perfect Day”, o ex-vocalista do Velvet Underground se tornou parceiro no segundo disco, I Am A Bird Now (2005). A capa traz a travesti Candy Darling numa cama de hospital, pouco antes de morrer. Reed escreveu a música “Candy Says” para ela. Com inúmeros elogios da crítica e comparado a Joni Mitchel a Nina Simone, o disco revelou o talento de Antony para o mundo pop.

I’m a Bird Now, ora cantando em falsetes ora aumentando o tom, impõe uma espécie de hipnose musical, falando de amor, morte e inquietação de estar preso num corpo, remetendo mais uma vez ao tema do travesti, realçado por Candy Darling na capa. Esta problemática, explorada de forma singela, também pertence a Antony. Não é incomum o confundirem com uma mulher. Sua veia teatral o faz do músico, performer. Faz aparições com suas maquiagens derretidas pelo rosto, sobrancelhas mal desenhadas e textos escritos em sua face. Este segundo disco foi vencedor do Mercury Prize, mais importante prêmio musical da Inglaterra.

Novidades do cantor incluem uma participação no disco de Björk, Volta, lançado este ano. Antony faz dueto com a islandesa em duas faixas, “My Juvenile” e “The Dull Flame Of Desire”. Outras participações vão de Lou Reed, no disco The Raven, a banda Joan As A Police Woman, Marc Almond, um de seus ídolos de juventude e Cocorosie, amigas, que abriram seus shows em 2005. Crítica e fãs esperam ansiosos o sucessor de I Am Bird Now. Até o momento, está prometido para janeiro de 2008. Antes, os brasileiros terão a chance de presenciar o estilo inconfundível e a voz marcante do crooner trágico do século 21.

Antony (Foto: Don Felix Cervantes)

ASPAS DE ANTONY

“Todos fomos para Allaire Recording Studio por uma semana em fizemos muito mais trabalho para o disco novo. Estou passando meus dias editando e penando carinhosamente sobre diferentes versões de cada canção. Porém, o disco está em sua maioria gravado. Há apenas umas poucas coisas para fazer antes de mixar”
Sobre o disco novo, em seu site em 28 de Agosto.

“Eu vi a Beyoncé ao vivo semana passada. Ela foi incrível e chorou lágrimas verdadeiras durante “Flaws and All”. Ela foi fantástica.”
Sobre Beyoncé, também em seu site.

“Nosso relacionamento é pessoal, não exatamente por semelhanças musicais. O que nos une é um certo senso de honestidade. Fazemos um esforço para não nos fecharmos, não fazermos música com cinismo, como a que a cultura dominante nos empurra constantemente.”
Sobre seus parceiros, entre eles Devendra Banhart e as CocoRosie na Folha de São Paulo em 01 de Agosto.

“Por favor, parem de gravar meus shows e negociarem eles, isso me faz sentir terrível. Eu esperava desenvolver novas idéias para o novo disco e os shows ao vivo, mas estou me sentindo desencorajado por causa dessas gravações. Então, façam-me um favor, sejam meus fãs e meus amigos e não gravem meus shows.”
Sobre cópias piratas de seus shows, em um FanSite, em fevereiro deste ano.

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