O que era estranho, agora é chato no novo disco do Animal Collective

Foto: Adriano Fegundes/Divulgação

ANIMAL COLLECTIVE
Strawberry Jam
[Domino, 2007]

A nova aventura musical dos nova-iorquinos do Animal Collective deve agradar aos fãs mais ferrenhos, mas se trata, na verdade, de um exercício de paciência.

A banda surpreende o underground americano a cada disco desde 2000 quando lançou Spirit They’re Gone, Spirit They’ve Vanished, com sua mistura sonora, batizada mais tarde de freak folk. Seus integrantes, chamados de Panda Bear, Geologist e Avey Tare entram de cabeça na idiossicracia proposta pela banda, que conquista o ouvinte mais pelo estranhamento do que pelas composições em si. Este novo disco parece um cansaço da proposta sonora do grupo.

Cheio de digressões, Strawberry Jam não é coeso nem mesmo estruturado. Por vezes, parecemos ouvir a mesma música repetidas vezes. Faixas como “Cuckoo Cuckoo”, pode aludir a uma tentativa da banda em parecer cada vez mais com suas apresentações ao vivo. A única que oferece um mínimo de deleite no ouvinte comum (leia-se não-fã, e isso inclui jornalistas e críticos) é “For Reverend Green”, agoniada, com guitarras num só acorde repetido, cheio de vocais ao fundo. Lembra o vigor criativo de Sung Tongs (2005), mas é peça dissonante do conjunto. [Paulo Floro]

NOTA: 6,0

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