Air (Foto: Divulgação)

DEZ ANOS DO SAFARI LUNÁTICO
Um dos mais emblemáticos álbuns dos anos 90 completa uma década com a relevância intacta
Por Mariana Mandelli

Trilha sonora indie de vários romances da década 90, um dos mais importantes discos da história da música está completando dez anos. Moon Safari, debut do duo francês Air. Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel, os responsáveis pela dupla, começaram em 1995. O nome, Air, significa “Amour, Imagination, Rêve” (amor, imaginação e sonho), palavras que se refletem íntima e intensamente nas texturas musicais criadas por eles. O ambient pop misturado ao chillout e ao trip-hop, em doses robóticas e com tendências impressionistas, fez do Air um ícone da música eletrônica – iconicidade esta que começou definitivamente e obteve seu ápice em janeiro de 1998 com o lançamento de Moon Safari.

Este primeiro registro foi, logo de cara, a obra-prima do Air, o que acabou resultando em um eterno processo de superação de expectativas – uma injustiça com o duo. Enquanto o Pink Floyd mostrou o lado negro da lua, o Air conseguiu realizar um safari lunático que compreendia um diversificado mix de guitarras acústicas, belíssimos arranjos, vocoders e o mais puro synth-pop. Contando com a participação de Beth Hirsch no vocal de algumas faixas, o clima de hipnose e nostalgia é sensual e envolvente. O resultado foi um sucesso total de crítica e vendas pelo mundo todo, especialmente na Europa, onde o álbum alcançou posições entre os dez mais vendidos.

Eclético – o que não significa indefinição neste caso, e sim uma espécie de captação de referências múltiplas – sem se perder e sem cansar os ouvidos, o disco conta com os maiores hits da carreira do Air. “Sexy Boy” é, sem dúvida, a melhor música do duo e conquistou o mundo inteiro com a voz de Dunckel devidamente alterada em estúdio para soar com timbre de soprano. Além de “Sexy Boy”, não podemos esquecer de “All I Need” e “Kelly Watch the Stars” que, somadas a “You Make It Easy” e “Ce Matin-La”, fizeram parte da trilha sonora obrigatória da década de 90. Afinal, quem permaneceu indiferente a “La Femme d’Argent” e “Remember” (que contêm samples de “Runnin’”, de Edwin Starr, e “Do It Again”, dos Beach Boys, respectivamente) bom sujeito não é.

Air (Foto: Divulgação)
Air foi a trilha sentimental de boa parte de quem viveu os anos 1990

Após o safari

Depois de Moon Safari, o Air lançou em 2000 a excelente trilha sonora do atmosférico As Virgens Suicidas (1999), seguida pelo mediano 10,000 Hz Legend (2001). O ótimo Talkie Walkie veio em 2004, com dois singles de grande sucesso: “Alone in Kyoto”, gravado para o outro filme de Coppola, Encontros e Desencontros (2003), e “Cherry Blossom Girl”, que foi trilha de um episódio da série A Sete Palmos.

Pocket Symphony, lançado em 2007, é o último disco de inéditas e contou com a participação de Jarvis Cocker (Pulp) e Neil Hannon (The Divine Comedy), além da produção do lendário Nigel Godrich (o “sexto homem” do Radiohead).

Neste ano, para comemorar o aniversário da obra-prima, o duo vai lançar uma box especial limitada do álbum, editada pela Astralwerks (nos EUA) e pela Virgin (Reino Unido), com três discos: a versão integral; versões ao vivo, remixes e demos reunidos; e um DVD contendo o documentário de uma hora Air: Eating, Sleeping, Waiting & Playing e os clipes de alguns hits.

Além das edições comemorativas, foi colocado no ar um site com os dizeres: “Em 1998, o Air deu ‘Moon Safari’ ao mundo. Agora, em 2008, o Air quer saber o que você fez com ele”. Logo abaixo da página há um link para o fã enviar sua história com o disco, além de poder ler o que os outros têm para contar sobre suas experiências com o som da dupla. Mesmo que você não tenha memórias especiais ao som de “Sexy Boy” e “Remember”, é impossível não viajar no som climático e atemporal do disco, seja em 1998, 2008, 2018, 2028, etc. Ainda teremos muitas décadas a comemorar.

SAIBA MAIS
Site oficial: www.pocket-symphony.com
Myspce: www.myspace.com/intairnet
Site especial para o Moon Safari : www.moonsafari2008.com/

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