O angolano José Eduardo Agualusa, que participa da edição 2008 da Fliporto

A Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (Fliporto) anunciou em seu blog (www.fliporto.blog.br) os primeiros nomes confirmados. A Prêmio Nobel da Paz Wangari Maathai e escritor angolano Pepetela estão entre os destaques.

O escritor angolano José Eduardo Agualusa, a moçambicana Paulina Chiziane e o norte-americano Quincy Troupe também estarão na festa. Nesta edição, o evento terá pólos diversificados. Além da programação literária nas dependências do Hotel Armação, haverá circuito gastronômico, circuito artístico-cultural, com exposições e mostras, feira de livros e uma programação completamente voltada para as crianças, a Fliportinho.

Além da Maathai, a presença do ex-diplomata Alberto da Costa e Silva e do fundador da Frente de Libertação de Moçambique, Marcelino dos Santos, confere certo viés político à edição deste ano.

A Revista O Grito! realiza a cobertura do evento a partir do mês que vem, com entrevistas exclusivas com as atrações. O evento acontece em Porto de Galinhas (Litoral Sul de Pernambuco) entre os dias 06 a 09 de novembro.

Confira abaixo as primeiras atrações divulgadas.

WANGARI MAATHAI
Primeira mulher africana a ganhar o prêmio Nobel da Paz, a queniana Maathai se destacou pela por sua luta pela democracia no Quênia e demais paises africanos, além de criar uma política de desenvolvimento sustentável. Ultimamente tem sido uma fervorosa critica da atual política de combate ao vírus HIV. Começou sua carreira de ativista ambiental ao plantar árvores no seu quintal. Em 1997, a ambientalista concorreu para a presidência do Quênia, mas sua candidatura teve pouco impacto. Nas eleições de 2002, no entanto, foi eleita para o Parlamento com 98% dos votos, como integrante de uma coalizão que chegou ao poder no Quênia. Em 2003, assumou o cargo de ministra do meio ambiente. Segundo reportuou a BBC Brasil, nos anos recentes, ela se envolveu principalmente com campanhas sociais. Em uma ocasião, foi surrada pela polícia até perder os sentidos. Em outra, liderou uma demonstração de mulheres nuas.

ANA PAULA TAVARES
Historiadora e poeta angolana, chefeou o Gabinete de Investigação do Centro Nacional de Documentação e Investigação Histórica de Luanda. Teve enorme contribuição na pesquisa e manutenção das literaturas africanas de língua portuguesa. Participou de váriuas antologias poeticas em Portugal, França, Alemanha, Espanha e Brasil. Seu principais livros são: Dizes-Me Coisas Amargas Como Os Frutos (2001) e A Cabeça de Salomé (2004). Ano passado publicou Manual Para Amantes Desesperados.

ALBERTO DA COSTA E SILVA
Mais conhecido pelo seu trabalho como diplomata, serviu o país em Lisboa, Caracas, Washington, Madrid e Roma. Atuou mais tarde em paises da África e América Latina como Nigéria, Benim, Colômbia e no Paraguai. Entrou para a Academia Brasileira de Letras em 2000. Seus principais trabalhos como africanólogo A Enxada E A Lança: A África Antes dos Portugueses (1992-1996) e Francisco Félix de Souza, Mercador de Escravos (2004), ainda publicou diversos trabalhos como poeta, ensaísta, memorialista e organizador de antologias.

PAULINA CHIZIANE
Moçambicana, nascida e criada em Maputo, iniciou sua carreira com contos publicados na imprensa. Seu primeiro trabalho foi o elogiado Balada de Amor ao Vento (1990). Com ele, se tornou a primeira mulher moçambicana a publicar um romance. Também possui uma extensa obra poética. Lançou este ano, em Portugal o livro O Alegre Canto de Perdiz.

AFFONSO ROMANO
Um dos principais intelectuais de nosso tempo, Romano é poeta, ensaísta e cronista. Mineiro, publicou mais de quarenta livros e foi considerado pela revista Imprensa no ano de 1990 como um dos dez mais influentes jornalista do Brasil. O crítico Wilson Martins o chamou de sucessor de Carlos Drummond de Andrade, no sentido de desenvolver uma nova linhagem poética. Durante a ditadura militar publicou poemas de protesto nos principais jornais do país, sendo mais famoso o “Que País É Esse?”. Atualmente escreve para os jornais Estado de Minas e Correio Brasiliense.

MARCELINO DOS SANTOS
Além de poeta, se destaca como nome importante na política de Moçambique, sendo fundador da Frente de Libertação de Moçambique. Após a independência do país, se tornou primeiro ministro do Desenvolvimento, cargo que deixou em 1977. Como Kalugano e Lilinho Micaia (pseudônimos adotados até o final dos anos 1980) publicou antologias poéticas em Lisboa. Com seu nome verdadeiro tem apenas um livro, Canto do Amor Natural (1987).

QUINCY TROUPE
Poeta norte-americano, Troupe ficou conhecido como jornalista e professor da Universidade da Califórnia. Atualmente edita a revista Styx River, uma das principais publicações de poesia dos Estados Unidos, já tendo publicado nomes importantes como o vencedor do Pulitzer, Yusef Komunyakaa e o prêmio Nobel Derek Walcott. Nos últimos anos recebeu diversos prêmios pelo seu trabalho, entre ele o National Foundation for the Arts, de Nova Iorque.

PEPETELA
Oriundo de Angola, o escritor foi vencedor do Prêmio Camões pelo conjunto de sua obra. Pensador atento aos problemas de ordem social, foi exilado no período da guerra colonial que assolou o País. No Brasil, foi condecorado com a Ordem do Rio Branco.

JOSÉ EDUARDO AGUALUSA
Nascido em 1960, o escritor divide seu tempo entre Portugal, Angola – seu País de origem – e o Brasil, onde é co-fundador da editora Língua Geral, que dedica suas atividades a autores de língua portuguesa. Ex-morador de Olinda, a cidade histórica o teria inspirado a escrever a obra Nação Crioula.

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