Adam Green (Foto: Divulgação)

Extravagâncias de um jovem indie
Por Mariana Mandelli

ADAM GREEN
Sixes & Sevens
[Rough Trade, 2008]

Se você está esperando um disco no estilo trilha sonora de “Juno”, pode esquecer. Sixes & Sevens, o quinto disco solo de Adam Green, membro do The Moldy Peaches, dupla responsável pela música tema (“Anyone Else But You”) do filme, é um conjunto de vinte canções curtas que exploram o pop nas suas mais diversas instâncias.

Flertando com diversos estilos, Green misturou anti-folk, indie rock, pop, lo-fi e tudo que se possa imaginar em termos de música com arranjos inusitados e letras sem nenhum sentido, em um surto artístico nonsense. Sixes & Sevens é um disco em que as partes não formam um todo – é irregular e está bem longe de ter qualquer tipo de conceito. A mistureba de referências é tão grande que o álbum passa longe de qualquer coesão.

Há um indie rock quase twee com o sax de “Morning After Midnight”; um “folk-bolero” na acústica “Tropical Island”; orquestrações em “Twee Twee Dee” e “Homelife”; música latina quase étnica em “You Get So Lucky”; pitadas de country em “Drowning Head First” (lembra Johnny Cash); Bob Dylan em “Be My Man” e coro gospel na tensa “Leaky Flask”.

As estranhezas e chatices ficam por conta de “That Sounds like a Pony”, “When A Pretty Face”, “Exp. 1” e “Sticky Ricki”, que soam cansativas e limitadas.

A voz grave de Green, uma mistura de barítono com Elvis Presley e Dean Martin, dá um charme especial às experimentações do disco extravagante e nada acessível. Tudo bem que Green ainda tem que comer muito feijão com arroz para chegar aos pés de Beck, mas o exercício de gêneros realizado em Sixes & Sevens já merece um crédito pela originalidade.

NOTA: 7,5

Sem mais artigos