Lia de Itamaracá, Elza Soares, Marisa Monte e Naná Vasconcelos (Foto: Fred Jordão/Imago)

BATUQUE PRA COMEÇAR
Naná Vasconcelos e as 14 nações de maracatu receberam as divas Lia de Itamaracá, Elza Soares e Marisa Monte para abrir o Carnaval do Recife
Por Lidianne Andrade

Erra quem pensa que abertura de carnaval só tem espaço para o frevo e samba (no caso do Rio). Para este ano, nada de sombrinhas na abertura, mas muito batuque, alfaias, percussão e saias rodando na sexta-feira, 01 de fevereiro, com mais de 500 percussionistas de 14 nações de maracatu que encheram o palco do Recife Antigo.

A noite começou com a concentração de maracatus na Rua da Moeda, às 18h, comandados na noite por Naná Vasconcelos vestindo amarelo em homenagem a Oxum. O casal real dos festejos dos momos levaram os batuqueiros até o Marco Zero para dar início ao espetáculo. Começando com chave de ouro, Lia de Itamaracá subiu ao palco e levantou a multidão. Cantou apenas uma música, mas o suficiente para o público reconhecer uma das estrelas da cultura pernambucana. Pena que, com o público apertado no Marco Zero, apenas a imprensa e os VIPs puderam dançar a ciranda. Depois veio Elza Soares e seu vozeirão conquistando a galera logo de cara com o mais que conhecido “Rap da Felicidade”, ao som dos batuques para chamar ao palco a muito esperada cantora de MPB Marisa Monte.

Apesar das críticas de alguns (escutava-se alto “carnaval é lugar de frevo e não de cantores de fora”, “cadê o samba? Cadê o frevo?”), Marisa correspondeu às expectativas dos fãs nas quatro músicas, encantando de cara ao começar com “Maracatu Atômico”, do grande Chico, e “Velha Infância”, dos Tribalistas. O ponto alto da festa ficou com a canção “As Pastorinhas”, entoada por Elza, Lia e Marisa, ao som dos batuques comandados por Naná.

É bem verdade que a voz de Marisa sumiu ao disputar os tons com Elza e Lia, com poucos momentos de coordenação das três, mas não tirou o brilho do show, com direito à cascata de fogos na frente do palco. Tudo banhado com muitos aplausos e, para quem queria dormir cedo, deu para voltar para casa tranqüilo, pois o trio se despediu antes da meia-noite.

De tanto cobrarem, os foliões pernambucanos foram atendidos e logo depois veio ao Orquestra Popular do Recife com Claudionor Germano e Silvério Pessoa. A festa rolou solta até altas horas da matina, esquentando a galera para os mais de dias de festa em quase todos os lugares da cidade.

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