Divulgação.

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O artista plástico pernambucano Abelardo da Hora celebrizou-se internacionalmente a partir dos anos 1960. Suas obras denunciavam a miséria brasileira e a exclusão, tinha forte temática social com seus garotos tristes do Recife. Forte e delicado, ele se tornou um dos maiores escultores expressionistas do Brasil. A mais importante retrospectiva do artista foi aberta no Recife, na Caixa Cultura nessa semana e vai até dia 27 de setembro. O primeiro final de semana foi bem movimentado.

“O íntimo da obra do artista aqui se revela não apenas nesses exemplos contraditórios. Esta exposição quer contá-lo como personagem completo: educador por excelência, desenhista, pintor, gravador”, disse o curador Renato Magalhães Gouveia no texto de apresentação da mostra.

Inédita no Recife, a obra traz 110 obras. Dentre as esculturas, desenhos, pinturas e maquetes destacam-se os bronzes Menino de Mocambo (1969) e A Fome e o Brado (1947); a série de 22 desenhos de bico de pena de 1962 e o poema Meninos do Recife; além da maquete e fotos da polêmica Torre de Iluminação Cinética, instalada em 1961 na Praça da Torre, no Recife e destruída pelo regime militar em 1964. A mostra teve estreia nacional em São Paulo, em março de 2015.

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Abelardo nasceu em 1924 em São Lourenço da Mata e morreu no ano passado. Escultor, desenhista, gravador e ceramista, ele militou pelas lutas sociais desde a juventude, o que acabou influenciando bastante seu trabalho. Integrante do Partido Comunista desde 1948 (o que era ilegal durante longos períodos no Brasil), ele foi preso mais de 70 vezes.

Abelardo e sua família conheceram a prisão, a tortura e perseguição do regime de exceção que sobreveio ao golpe civil-militar de 1964. A cada Ato Institucional baixado pelos militares, e sob quaisquer outros pretextos, o artista “subversivo” era preso quando fazia propaganda política em comício do Partido. Com o golpe, muda-se para São Paulo, onde é acolhido pelo casal de amigos Lina Bo e Pietro Maria Bardi, e trabalha na extinta TV Tupi. Retorna ao Recife em 1968, dedicando-se à pesca enquanto cursa a Faculdade de Direito de Olinda. Nos anos 1970 volta a trabalhar em seu estúdio, onde hoje está instalado o Instituto que leva seu nome.

Sua obra ficou conhecida pela delicadeza com que retratava as mulheres pernambucanas e também pela dureza no seu retrato das injustiças sociais. Essa dicotomia é difícil de alcançar e foi seu maior trunfo como artista. Durante os anos de 1957 e 1958 expôs em vários países da Europa, na Mongólia, na Argentina, em Israel, na antiga União Soviética, na China e nos Estados Unidos. Lançou, em 1962, o álbum de desenhos Meninos do Recife e em 1967, a coleção de desenhos Danças brasileiras de Carnaval, na Galeria Mirante das Artes, em São Paulo.

A mostra Abelardo da Hora 90 anos: Vida e Arte é daquelas imperdíveis. Vá ver. A Caixa Cultural Recife fica na Avenida Alfredo Lisboa, 505, Praça do Marco Zero – Bairro do Recife. A visitação é de terça a sábado das 10h às 20h e aos domingos das 10h às 17h. De graça.

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