VIGOR DE VOLTA
Perto de completar uma década de existência The Verve volta a cena reunindo a velha guarda. A banda já tem turnê marcada por toda Inglaterra
Por Breno Soares

De acordo com o dicionário Oxford da língua inglesa, “Verve” significa “entusiasmo, espírito ou vigor, especialmente na arte”. Assim foi um dos grandes nomes do Britpop na década de 90, a banda The Verve. Com fortes canções que grudavam na cabeça como seu grande hit “Bittersweet Symphony” ou então músicas sobre incertezas do amor como em “Sonnet”. Mesmo todo esse entusiasmo não foi suficiente para fazer uma longa carreira como tantas outras bandas que estão juntas há décadas, apesar que um ponto numa história nem sempre é o final.

O Verve teve sua formação na cidade inglesa de Wigan em 1989, tendo em seu corpo Richard Ashcroft (vocal), Nick McCabe (guitarra), Simon Jones (baixo) e Peter Salisbury (bateria). O primeiro disco da banda não veio em 1989, quando se formaram e sim em 7 de dezembro de 1992, intutulado Verve EP, ainda inédito no Brasil. Logo em seguida em 1993 lançam A Storm in Heaven, considerado o primeiro álbum e por muitos o grande clássico da banda, com o qual começaram a fazer sucesso e entraram em turnê com o Oasis, até então não tão famosos na época. Esse período de turnê, proporcionou uma forte amizade entre Richard Ashcroft e Noel Gallagher, que até homenageou o amigo em seu disco What ‘s the Story Morning Glory?na música “Cast no Shadow”.

Depois de um não tão bem sucessido segundo álbum, A Northern Soul (1995), Richard Ashcroftdecidiu dissolver o grupo, mas o que se fala mesmo é que a grande tensão e fortes divergências de opinião entre Ashcroft e McCabe foi o que causou o fim da banda.

Logo depois Ashcroft resolveu reagrupar o pessoal, coisa que não foi aceita de cara por McCabe que aproveitou esse tempo para desenvolver os seus projetos pessoais. Nesse período quem assumiu as guitarras foi Simon Tong (que hoje integra o The Good, The Bad and The Queen), mas apesar do bom profissional não rolou entrosamento e os trabalhos não estavam sendo satisfatórios. Algum tempo depois, Simon Tong deixa a banda e Nick McCabe retorna ao grupo para criar o terceiro e mais bem sucedido álbum, Urban Hymns, com canções que estouraram nas paradas como “Lucky Man”, “Sonnet” e uma de suas músicas mais conhecidas, “Bittersweet Symphony”.

Uma curiosida sobre essa última música é a acusação de plágio por Mick Jagger. Segundo o líder dos Stones, além de plagirem um riff de uma de suas canções, “The Last Time” (1965), eles copiaram a frase ‘bittersweet symphony’, o que levou o The Verve a uma longa batalha na justiça contra as acusações, mas que no final deu vitória para Mick Jagger. No meio da turnê do terceiro disco, McCabe anuncia a sua saída da banda e o conseqüente fim oficial.

Com o final do Verve cada um foi se dedicar a seus projetos. McCabe participou de novas empreitadas e trabalhou sua guitarra em cima do que sempre foi apontado como uma de suas referências, a psicodelia, testando novos sons com ajuda de pedais, amplificadores e outros instrumentos que pudessem dar uma nova sonoriada a sua guitarra. Richard Ashcroft, como quase sempre acontecece com o frontman de uma banda dissolvida, foi o que teve mais respaldo em sua carreira solo. “Não agüento biografias. Elas, na maioria, são apenas besteiras, não é verdade? Gostaria de uma biografia que tivesse só uma lista do que eu já fiz e algumas citações. Quanto menos meloso quanto fosse possível. Isso seria ótimo. Obrigado”, disse Richard Ashcroft após o fim do grupo.

Richard Ashcroft teve uma carreira solo não tão calorosa quanto sua carreira no Verve. Lançou três discos solos: Alone with Everybody (2000), Human Condition (2002) e Keys to The Word(2006). “Não sou impulsionado por fama ou sucesso. Sou uma pessoa bastante tímida e introvertida e poderia facilmente desaparecer nos bastidores. Mas sou impulsionado a escrever músicas. Criatividade para mim é quase como terapia, minhas músicas te levam ao interior da minha mente e há muita coisa obscura por lá”, disse Ashcroft. “Se eu vivesse em LA, eu me consultaria com alguém três vezes ao dia, todos os dias. Mas sou um inglês do norte da Inglaterra lidando com sua merda de sua própria maneira”, completou o vocalista em uma de suas poucas entrevistas.

Assim são os discos da carreira solo do Richard, cheios de impulso como na época do Verve, recheados de dúvidas, amores e introspecção. Na época do lançamento do seu primeiro disco, teve seu primeiro filho que nasceu em 2000, Sonny, com Kate Radley, tecladista da banda Spiritualized. Em seu segundo álbum, contou com a participação do Brian Wilson, uma de suas referências musicais. No período entre o segundo e o terceiro disco, teve seu segundo filho, Cassius, em 2004.

Depois de uma carreira solo muito respeitada, mas não tão badalada quanto sua época no Verve depois de idas e vindas da banda eles resolveram voltar e com sua formação original, onde temos Nick McCabe na guitarra. Estrelismos de lado, junto com suas divergências proporcionou a reunião dos integrantes da banda mais uma vez, com disco programado para este ano e mais uma turnê pela Inglaterra em novembro. Os ingressos já estão sendo vendidos desde seis de julho passado. A turnê tem início em 2 de novembro em Glasgow. O retorno da banda foi anunciado pela primeira vez na BBC Radio 1 por Jo Whiley.

Os integrantes afirmaram em declarações na internet que estavam voltando pelo prazer da música. Se este prazer for trazer o The Verve cheio que energia dos velhos e suas novidades, devido as mutações que os artistas sofrem no decorrer dos tempos, podemos então esperar um disco para marcar mais uma vez.

[*]– Breno Soares é colaborador do Grito!

Sem mais artigos