O NOVO NASCIMENTO DO MUNDO
Masp exibe poema visual de Marx Ernes e realiza viagem surrealista sobre a condição feminina e colagens

184 obras, publicadas enquanto o Gênesis na frança do século 20 se perdeu nos anais do poema visual da obra do alemão Marx Ernest. Guardadas há mais de 70 anos pelo francês Daniel Fillipacchi, as imagens fazem uma cáustica crítica às convenções sociais européias daquela época, evidenciando a condição social e sexual da mulher. Do começo ao fim é possível se deparar com as arestas da criação do feminino, suas limitações e todo o seu subjulgamento. Essa é a temática central que nortia a exposição das obras do alemão no Masp que se estende até o próximo 18 de julho.

A coleção se divide de acordo com os dias da semana, tendo dado origem a cinco livros lançados em 1934. Nas colagens Ernst afastou-se da concepção bíblica, criando seu próprio Gênesis. Na vida real, o nosso doming filisteu é o dia de descanso. Já o surrealista guarda sexo, orgias, violência, blasfêmena, nascimento e morte. A segunda-feira ernestiana é permeada pela queda do poder e pela incapacidade do homem em subjulgar o seu entorno e a natureza. Aqui a água invade a cidade de Paris destruindo todo o arcabouço do maior centro burguês do mundo.

A terça-feira aqui é mordaz e permeada de monstros, serpentes, dragões e seres animalescos, enquanto uma alegoria da rotina que tem seu início e sua glória o segundo dia útil da semana.

A sexta-feira de Ernest é uma espécie de condenação do humano que se consubstância a partir de seus medos mais profundos e no desaguar dos deveres. São corvos, caveiras e uma série de símbolos que simbolizam as três divisões do trabalho orquestradas pelos arautos franceses.

E assim, Ernest reconfigura o mito bíblico do surgimento do mundo acabando com a separação entre luz e trevas, entre terra e firmamento evocando a construção de uma novela visual caracterizada pelo grotesco e pelas principais mazelas construídas pela burguesia. Além dos conceitos supracitados, são cenas de tortura e registros violentos da psiquê humana.

E em sua criação do mundo Ernest denuncia a colagem como o ponto alto do fazer artístico dos surrealistas. A partir da reinvenção do fantástico a partir de imagens recortadas do real. Em Gênesis essa técnica ganha o máximo de apuro fazendo escola para um universo tenebroso – que relembra A Queda da Casa de Usher -, mas com os pés fincados no chão.

Mais informações: http://www.masp.com.br

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