A Obscena Senhora D. (Foto: Marcelo Dischinger/ Divulgação)

A medida certa do deboche
Por Fernando de Albuquerque

Diretamente de Brasília, Catarina Accioly e William Ferreira, encenaram A Obscena Senhora D., nos palcos do Hermilo Borba filho, na última quinta-feira. O livro homônimo de Hilda Hist ganha som e imagem na apresentação de 90 minutos que consegue captar com maestria todo o deboche e a irônica tragédia de uma mulher que abdica do convívio social para isolar-se no vão da escada de sua casa, lançando questionamentos sobre a vida, o erotismo e religiosidade.

Sobre um estrado de madeira crua, que divide a platéia ao meio, os atores erguem o imaginário de a Senhora D, “D” de “derrelição” (abandono, desamparo). Viúva, Hillé (como é chamada), ressuscita as vivência com Ehud (seu marido), invoca sentimentos incomuns e procura lugar para os tormentos metafísicos, afugentados pela iminente necessidade do “aqui e agora”. De imediato, a peça chama à leitura dessa obra, sempre urgente e escrita por Hilda Hist.

No palco os atores, assim como os personagens, se desfazem em idéias, vaidades e sentimentos. Olham fixamente no público, transpondo a certeza que de que nada mais será igual como antes. Hillé guia o espaço cênico a todo momento, entra e sai de metamorfoses, marcadas pela sonoplastia realizada em cena. Se movimenta com o fixo desejo de dar a cara a tapa para bater. Sem vontade de agradar ao público que assiste a peça com sensação de torpor.

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